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Opinião sobre a guerra dos outros, só quem emite são os leigos como nós

O apoio (ou opinião) de um líder mundial sobre um conflito armado entre países que pode evoluir para uma Guerra Mundial, não se dá em redes sociais, nem pela imprensa, nem por terceiros. 

Evaristo Sa /AFP

Opinião sobre a guerra dos outros, só quem emite são os leigos como nós

Por Raquel Brugnera - 28/02/2022

O apoio (ou opinião) de um líder mundial sobre um conflito armado entre países que pode evoluir para uma Guerra Mundial, não se dá em redes sociais, nem pela imprensa, nem por terceiros.

Em via de regra, antes de emitir opinião, sentam os líderes das forças Armadas com o Presidente e decidem os prós e contras de entrarem numa guerra, além de discutirem o mérito.

Outro ponto, é que sempre haverá discordância entre os líderes das Forças Armas, mas eles têm a disciplina militar e acatam a opinião da maioria.

Poderia, por acaso, o comandante da Marinha se revoltar e decidir invadir a Rússia sozinho, sem o apoio da aeronáutica e do exército e sem a ordem do Presidente? Evidentemente não é assim que funciona.

Vem daí a irresponsabilidade do vice-presidente, que deixou de lado a disciplina e "deu sua opinião", mesmo ciente que a decisão de neutralidade havia sido tomada. Ele apenas foi a público falar aos seus, fazer demagogia para agradar a torcida e demarcar sua opinião divergente ao Presidente, para produzir espuma política/midiática de pré-campanha, afinal, ele não tem poder de decisão nem no executivo e nem no exército.

Deixando claro que a posição de neutralidade é referente ao envio de tropas para o combate e não nas incontáveis sanções que um país que iniciou uma guerra pode sofrer.

Inclusive, o Encarregado de negócios da Ucrânia no Brasil, agradeceu apoio do país na ONU, durante uma entrevista na embaixada, em Brasília.

O que precisamos saber é que: uma guerra tem vários estágios e começa nos bastidores do pré-conflito. Depois que acontece um ataque com mortes, o país que iniciou o conflito começa sofrer uma série de consequências que variam de acordo com o grau de violência e o tipo de ataques utilizados.

Por incrível que pareça, uma guerra parece uma bagunça, mas têm gerência!

A regra é esgotar as forças do país opressor, sem disparar armas e aumentar o número de mortes de civis. São medidas administrativas que nenhum líder mundial gostaria de enfrentar, por exemplo: o desligamento do país de uma competição esportiva, como Copa do Mundo, Olimpíadas, etc; a queda de sua moeda e ações de suas empresas na bolsa de valores; a queda do preço que os países estão dispostos a pagar pelos produtos que compram dele; o aumento do preço dos produtos que vendem a ele, ou até o rompimento de relações comerciais; interferência no fluxo de águas que abastecem o país na tentativa de reduzir a produção de energia, (dependendo da sua posição geográfica e do tipo de usina elétrica que utilizam); fechamento de espaços aéreos e marítimos que interferem nas manobras de guerra e na chegada de mantimentos, medicamentos e munição, entre tantas outras fontes de esgotamento de forças.

Não sejamos ingênuos, os líderes mundiais não precisam justificar à imprensa suas decisões iniciais diante de um conflito e muito menos justificarem suas mudanças de posicionamentos, caso o conflito permaneça. Os jornalistas têm uma importante função na guerra que é informar ao mundo sobre possíveis abusos cometidos contra uma população civil bombardeada, mas não são chamados pelos líderes mundiais para tomarem decisões militares, políticas e econômicas.

Opinião sobre a guerra dos outros, só quem emite são os leigos como nós. Autoridades não devem opinar, devem votar em consenso com os comandantes de suas Forças Armadas, em consonância de suas realidades econômicas e em conjunto com os demais países do bloco que ocupam assentos (permanentes ou rotativos).


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