Momento de fé com Padre Pedro Henrique.

Nesta série, o Padre Ortodoxo Pedro Henrique, nos trará pensamentos e explanações bíblicas buscando ensinar e acalentar os mais aflitos corações.

Padre Pedro Henrique

Momento de fé com Padre Pedro Henrique.

Por Thiago Silva - 14/11/2021

Capitulo 1, Maria a filha da promessa. Primeira parte.

Ave Maria, cheia de graça.

Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.

Mateus 1:18

A Sagrada Escritura, por excelência, é o lugar onde encontramos a voz de Deus para com o seu povo. No decorrer de suas páginas, desde os seus primeiros versículos, nós encontramos um Deus que age, que se relaciona, que diretamente age e dialoga com o homem, um Deus que não somente cria o universo e a realidade, mas que interage e acompanha a sua criação e a busca aperfeiçoar. Mesmo diante da desobediência, mesmo em meio a tantas situações complexas do gênero humano, todo o antigo testamento evidencia esse caminho de encontro, de tentativas, de libertação, um caminho de ensino e de alianças, uma via de preparação para a plenitude da libertação que se dará com o Cristo.

O primeiro testamento é sem sombra de dúvidas um olhar atento a providencia de Deus na história e nessa narrativa os homens não são coadjuvantes, mas participes dessa construção religiosa, espiritual e política. Deus vai levantando homens e mulheres em momentos específicos e pontuais para reconduzir ao eixo de sua providência e vontade a história da salvação.

Entre esses grandes momentos da fé, nós nos encontramos com a personagem Maria de Nazaré, ela é o eixo central da ruptura do antigo testamento para o novo testamento. Assim como Abraão marca o início da fé judaica, Maria marca o princípio da fé cristã, ambos são colocados diante de um diálogo com o próprio Deus, ambos são convidados a uma ruptura com suas vidas e projetos para abraçarem um novo plano do qual não são os seus arquitetos, mas o próprio Deus. Dessa forma, dois são os olhares que se deve lançar sobre Maria, o primeiro é o humano, entendendo que ela foi alguém que existiu, que tinha uma personalidade própria, uma história, sonhos e que estava ligada a uma cultura e uma realidade, o segundo é o olhar espiritual, a virtude, a força, a coragem e a obediência a Deus e a sua fé.

O que se percebe por muitas vezes é o esvaziamento de seu ser, na tentativa de se construir o que ela representa, o que ela significa e assim se distância tanto sua imagem que parece ser impossível de alcança-la como alguém entre nós. Não excluo aqui o seu simbolismo e o seu significado, nem mesmo sua grandeza, mas aqui devemos entender a sua origem, devemos aqui olhar a sua identidade e particularidade para assim compreender a sua grandiosidade e o seu verdadeiro simbolismo na religião cristã e na história da salvação.

Para este primeiro olhar histórico temos duas fontes por base: a Tradição Apostólica e a Palavra de Deus no qual podemos nos atentar. Conforme muitos textos antigos atribuídos a São Thiago, sabemos que ela era filha de Ana e Joaquim, Ana uma dona de casa da região da Galileia, e seu esposo um sacerdote do templo de Jerusalém. A narrativa do nascimento de Maria foi o cumprimento da promessa de Deus dada a seus pais, ambos já eram idosos e ainda não haviam tido a graça de ter um filho, o coração de ambos sofria com essa ausência, dentro da cultura judaica a ausência de um filho significava o mesmo que a ausência da graça de Deus. Ambos se unem em oração o texto original mostra dois cânticos maravilhosos que os dois entoam a Deus diante de seu clamor e seu pedido.

Deus não só escuta como envia tanto a Ana, quanto a Joaquim uma resposta. O Senhor não só lhes daria uma descendência, Deus lhes daria o ventre santo que mudaria a história da humanidade, é de tal forma certo que os desígnios de Deus agem para um propósito e sem sombras de dúvidas, Maria foi desde a sua concepção a filha da promessa de Deus, o resultado das lágrimas e da oração de um casal que não perdeu a sua fé, mesmo diante dos fracassos da vida, de uma família que não se cansou de lutar pelo que sonhavam e queriam. Maria foi por eles, aguardada, amada e consagra a Deus desde pequena, já desmamada de sua mãe foi levada ao templo para ser instruída e lá crescer conforme a promessa de sua mãe. Maria desde sempre foi alguém especial, preparada de uma maneira especial, nascida no tempo correto, na hora correta para um único propósito, a salvação do gênero humano.

Ela foi a escolhida entre todas as mulheres, entre todas as que existiram e que viriam existir, Deus encontrou naquela jovem, filha de Joaquim e de Ana, desposada em casamento a José, os dons necessários e as virtudes mais elementares, para que Jesus pudesse vir ao mundo, para que a profecia prefigurada em Gênesis 3, 15 fosse assim cumprida.

O evangelista Lucas nos traz os detalhes desse encontro histórico, o momento em que os desígnios de Deus se apresentaram desveladamente a humanidade, o dia em que o Senhor enviou a face da terra o seu anjo, Gabriel, trazendo não uma ordem, mas um convite àquela que seria a mãe do Salvador. Assim diz a Palavra:


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