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Depressão é um assunto sério e bastante complexo

A exploração da dor de outrem ou a excessiva divulgação da própria dor tendem a piorar o problema, sem dar chances de solucioná-lo.

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Depressão é um assunto sério e bastante complexo

Por Toca do Lobo - 03/01/2022

Creio que todo ser humano de bom senso concorda sobre isto.

A exploração da dor de outrem ou a excessiva divulgação da própria dor tendem a piorar o problema, sem dar chances de solucioná-lo.

Há muita descrença e desinformação sobre os reais malefícios da doença, o que também só tende a complicar, e não ajudar, quem sofre deste que é considerado o mal do século, ou quem sabe o segundo, já que certas doenças epidêmicas estão sempre lutando pela liderança sob os holofotes do horror.

A depressão não seleciona suas vítimas por cor, classe social e muito menos opção política, sexual ou religiosa. Diferente dos discursos da internet e dos "formadores de opinião" sobre TODOS assuntos, ela é democrática: atinge todo tipo de ser humano, sem nenhuma distinção.

Eu sofro de depressão e já atingi alguns picos deste triste transtorno psiquiátrico, pois a minha avançou há tempos para quadros de síndrome de pânico, o que posso garantir a vocês que vai bem além do que se imagina ser.

A regra numero um é buscar ajuda médica e não a ajuda do titio Zuk, gritando no Face, a não ser que ele esteja disposto a doar alguns milhões para que o depressivo descanse numa ilha do Caribe, e quem sabe alcançar a cura.

Tudo é possível! Fora isto, o ideal é procurar profissionais da área e decidir se deve seguir ou não o tratamento.

Eu, por conta e risco, optei em não me medicar e escolhi a corrida de rua, após ler diversos artigos sobre o tema.

Não vou me estender aqui, pois o assunto é técnico, mas recomendo busca no Google, quem se interessar, pois para mim esta prática esportiva ajudou muito. A depressão não foi embora, claro, mas ao menos a síndrome do pânico ficou lá pra trás, parada no quilômetro 4 desta maratona em busca da cura, ou do alívio.

Não estou aqui recomendando isto a ninguém, pois é apenas um relato de algo que FUNCIONOU comigo, ok?

Sobre a depressão, lamento informar, mas aqueles incultos que alegam ser falta de Deus ou de amor, posso garantir que sou a prova viva de que os senhores estão redondamente enganados.

Tanto Deus quanto amor, graças a Ele e aos meus familiares e amigos, eu tenho de sobra. Sou muito feliz neste quesito, mas ainda assim falta-me por muitas vezes um interesse maior pela vida e seus prazeres. Tudo é difícil, nebuloso e quase sempre me derruba, mas teimoso que sou, levanto e sigo radiante até o próximo tombo.

Para encurtar a conversa, o fato é que esta semana, pelo que tenho lido, a internet conseguiu relativizar até uma doença séria como a depressão, após as contantes postagens de um "grande influenciador", aparentemente muito mais sedento de atenção do que de algum alívio ou tratamento para seu problema.

Há o velho ditado de que "riqueza não traz felicidade", porém engana-se quem cai nesta conversa, pois dinheiro, quando muito, se bem distribuído e aproveitado, pode sim alimentar a alma do milionário e salvar o dia (ou a vida) de quem ele resolver ajudar.

Isto quer dizer que rico não se deprime? Evidente que não.

Deixo aqui um bom exemplo: Bruce Springsteen.

O cantor talentoso, bilionário e adorado por multidões, por incrível que pareça para alguns, sofre de depressão.

A diferença é que Bruce tenta, de uma forma ou outra, aliviar esta dor, especialmente trabalhando ou colaborando com algo ou alguém. Ele diz que funciona, então quem sou eu para desmentir?

Dentre as maiores causas da depressão, as três mais citadas por especialistas (não os da Folha, nem do Catraca Livre) são falta de recursos, falta de trabalho ou a dor de alguma doença física, não emocional, que acaba gerando a depressão.

Eu me incluo em alguma destas, o que pode-se dizer, de certo modo, que a "causa" da depressão, neste caso, é justificável.

Agora se o sujeito tem trabalho, muito dinheiro e está com a saúde (me refiro a do corpo, não da mente) em dia, e ainda assim alega sofrer de depressão, talvez o melhor seria produzir mais e acima de tudo algo que tivesse uma relevância maior para a comunidade em que vive. Se você produz lixo, há grandes chances de consumir lixo; se você promove o mal, há grandes chances de recebê-lo diariamente à sua porta; e se você deseja o pior para as pessoas, pode ser que aquela história de "lei do retorno" tenha algum sentido.

Infelizmente 99% dos depressivos do país não possuem dezenas de milhares de reais para se torrar num shopping, alegando que tal ato de extremo capitalismo (hilário vir de pessoas que se dizem anti-capitalistas) lhe faça algum bem.

Bato naquela tecla acima: consumir excessivamente sem doar será que tem algum sentido? Comer todo o bolo de 12 quilos, sem dividir com quem tem fome, facilmente lhe tornará gordo, solitário e ainda muito mais depressivo.

Mas pena que o universo conspira sempre em favor de quem está no poder, seja ele político, empresarial ou midiático.

Pessoas que, na maioria das vezes, vivem em torno do próprio umbigo e têm a absoluta certeza de que o mundo gira em torno delas e para elas.

Exemplo:

O filho da sua vizinha foi pego com alguma mísera quantidade de alguma droga, quase foi preso, ou na melhor das hipóteses, voltou pra casa para ser mal visto no bairro, enquanto que do outro lado, um astro também pego com drogas, ou flagrado em cenas deprimentes pelo uso de entorpecentes, é acolhido nos braços de todos aqueles que nunca lhe viram na vida, mas já o amam e o chamam de "vencedor", dando-lhe todo apoio.

Esta é a balança da sociedade, meus caros. E ela também deprime, e muito, aqueles que insistem em ter o mínimo de bom senso.

Quem sou eu na fila do pão para julgar quem faz ou deixa de fazer algo, mas eu sinceramente preferia que as pessoas se importassem muito mais com quem está ao seu lado, seja filho, vizinho ou porteiro da noite, do que com gente que nunca vai sequer lhe olhar na cara, mas você insiste em bater palmas, fazer vaquinha, curtir postagens, se inscrever no Youtube, mesmo quando finge criticar nas redes, mas se descabela por uma selfie, como troféu, ao cruzar o elemento na rua.

Sim, o mundo deprime, meus caros. A inversão de valores idem, mas a cura (ou alívio), a sua ou a do seu próximo, pode estar em você, basta agir com o coração, aquele orgão que só tem sido lembrado ultimamente pelos surtos mundiais de mal súbito.

Que tal começar a ouvi-lo e tentar, apenas tentar, se importar de verdade com quem realmente precisa de sua atenção e apoio, mesmo o menor que seja.

Era só isto.

Obrigado

Toca do lobo


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