Da Europa ao Ocidente: Expansão das políticas conservadoras - Parte 2

Após o declínio da URSS, e o começo de uma perspectiva mais positiva para a Europa, a Hungria começa a traçar um caminho diferente do percurso feito em suas últimas décadas.

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Da Europa ao Ocidente: Expansão das políticas conservadoras - Parte 2

Por Victor Vonn Serran - 25/10/2021

Após o declínio da URSS, e o começo de uma perspectiva mais positiva para a Europa, a Hungria começa a traçar um caminho diferente do percurso feito em suas últimas décadas.

Quando George Soros começou a pagar bolsas de estudos para que húngaros pudessem estudar nas melhores universidades da Europa, não sabia que estava contribuindo indiretamente para a formação, daquele que seria um de seus mais terríveis estimuladores e articuladores. O jovem libertário Viktor Orban.

Orban foi secretário de governo, e cresceu na hierarquia do funcionalismo público, destacando dos demais por aplicar políticas criativas, que mantinham um ar tradicionalista. Visto como apenas um jovem promissor, viu em um discurso na praça principal dos heróis nacionais, a oportunidade para levantar pautas de interesse nacional, mas que eram constantemente ignoradas por vários líderes de blocos húngaros. O discurso televisionado lhe rendeu fama, e com o tempo, o tornou Primeiro Ministro da Hungria.

Seus primeiros movimentos no governo foram de densas, inclusive com opositores. Ano após ano, recuando e avançando, fazendo pequenas mudanças nos distritos, e diminua cadeiras no parlamento. Ao estabilizar a economia que oscilava desde uma tentativa de um possível golpe em 2006, ele resultou maioria do legislativo, elencou juízes tradicionalistas para a Suprema Corte, e delimitou como políticas de informação, cortando o viés midiatico herdado de outros governos, através de leis indiretas.

Orban é reeleito mais duas vezes, com recorde de aprovação pública, e se serviço como um dos líderes que mais permaneceram no poder em países da Europa. Seu carisma e determinação conquistam o povo húngaro, e suas articulações acabam aprovadas pela imensa maioria do eleitorado.

Foi a partir de 2010, que um vasto programa de incentivo ao conservadorismo mundial foi proposto, como uma luta a política contra a centralização do poder dos blocos continentais. Vários outros líderes pelo mundo clássico do exemplo de Orban, e um cinturão de resistência como políticas globalistas, se levantava e ganhava voz.

No futuro, parte dessa movimentação desencadearia no Brexit do Reino Unido.

Orban foi um dos chefes de estado que estava na posse de Jair Bolsonaro no Brasil. O líder brasileiro foi elogiado pelo primeiro ministro, que reconheceu em Jair uma oportunidade para fortalecer o avanço anti-globalista no mundo. Salvini, Trump, Erdogan, Boris e até Putin, ganhavam um representante na América do Sul, que poderia ser uma chave importante para abrir portas em outros países e estabelecer alianças importantes.

Quando vejo Bolsonaro e suas políticas, penso que o líder brasileiro tem em Orban, um norte em gestão de estado. E embora o Brasil tenha muitas diferenças culturais, políticas e territórios da Hungria, o que se percebe é uma tentativa de seguir um mapa de articulações do primeiro ministro, como se fosse um importante manual de estratégia.

Por isso que todo esse alvoroço quando se fala em intervenção é um erro. 

Foi através de mudanças graduais e estratégicas que o húngaro se tornou invencível. E embora seja muito mais complicado fazer aqui, o que fez na Hungria, parece ser esse o caminho que Bolsonaro vai escolher. 

Se vai vingar ou não, só o tempo irá dizer.

Mas torço para isso. Assim como Orban, o atual presidente pode consertar muita coisa por aqui. E as manifestações de Sete de Setembro, claro quem o povo escolha para fazer esses ajustes.


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