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Dança das cadeiras

Quando eu disse em um texto anterior que como prévias do PSDB seriam importantes para definir os caminhos da política no país, muita gente tirou onda, dizendo que o partido estava acabado, e que eu estava criando uma forma para os tucanos que eles não possuíam mais.

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Dança das cadeiras

Por Victor Vonn Serran - 26/11/2021

Quando eu disse em um texto anterior que como prévias do PSDB seriam importantes para definir os caminhos da política no país, muita gente tirou onda, dizendo que o partido estava acabado, e que eu estava criando uma forma para os tucanos que eles não possuíam mais. Agora, passadas as especulações, vemos todos os canais de mídia falando do assunto. Muitas pessoas não entendem ainda que o PSDB nunca será um partido sem influência, e pior que isso, vai estar quase sempre em todas as manifestações políticas importantes do país.

A crise interna relacionada ao comando, está relacionado com o que chamamos "Efeito Jair" após a entrada de Bolsonaro em 2018. O presidente mudou a estrutura das configurações partidárias no Brasil, um ponto de implodir várias partes por dentro. Isso não aconteceu não só com o PSDB, mas também com o PSL, DEM e alguns outros partidos.

Outro ponto importante são os governos de São Paulo, Minas, Rio e Salvador. Esses estados são pontos chave para o palanque de 2022, e definir um bom governador, pode ajudar bastante a decidir a disputa pelo executivo. Assim que os tucanos se colocaram como identificados a Bolsonaro, uma das primeiras diretrizes, impediu o avanço do bolsonarista local. Definir que Rodrigo Garcia seria o candidato para SP, não era unanimidade, e mostrava abertamente que os tucanos estavam em dois grupos dentro da legenda.

Era preciso criar um consenso, e foi nessa linha que o FHC propõe ao apoiar Dória. Se ele ficasse logo o lado mais forte na disputa, era mais fácil o grupo inteiro aderir e criar um bloco único para 2022.

Mas Dória queria mais que isso. O controle total do partido passaria pela expulsão de Aécio e Alckimin, os dois dos principais inimigos da Calça apertada, que articulavam com Tasso quase sempre para minar o esforço do Governador de SP.

Marcio França sabia que o arranjo de poder ficaria ruim em uma coligação com Alckimin, no que chamavam de "Grande frente contra Bolsonaro". Por isso, para conseguir ter mais notoriedade, ele precisa tirar o ex governador do caminho sem se queimar, e fez isso de modo inteligente, ao conversar com o PT e articular uma candidatura de Vice. Com o velho teatro das tesouras de volta, as coligações novas composições, e quase todo mundo sairia bem. Menos o PSD e Datena.

O apresentador queria uma aliança com Alckimin, pelo União Brasil, mas ao saber da possibilidade de existir uma chapa presidencial na qual Lula e o Narigão estariam interligados, viu sua possível candidatura ao Senado naufragar. Alckimin ainda não aceitou uma proposta, mas os recentes afagos trocados entre ele e Lula, indicam que a possibilidade da união não é impossível, apesar de difícil.

Com o PL e o presidente jogando para levantar uma lebre para Waldemar ter motivos para cancelar o apoio direto a Garcia, Bolsonaro tenta emplacar Tarcisio. Porém, o ministro teve atritos com o PL em razão de exonerações no ministério, e isso dificultou um pouco a candidatura. Mesmo assim, com a tal "carta branca" Tarcísio tem mais chances de vir para SP.

Por isso as prévias são importantes, pois se Dória ganhar, Waldemar vai ser obrigado a fazer um jogo duplo, na qual liberaria os parlamentares da legenda para apoiar quem quisessem em SP, mesmo lançando o ex-ministro de Bolsonaro. Zema viria com Bolsonaro em Minas, e Mourão pelo Rio, faltando apenas Salvador fechar com algumas pendências na qual viriam os nomes de Elmar, Alexandre e Raissa.

Com a bagunça das prévias dos tucanos (leia o texto anterior), os parlamentares voltam para a dança de cadeiras. E mais uma vez, fica complicado dizer qual será o futuro político do país, pelo menos nos Estados.

E por isso bati na tecla que as prévias não vão decidir apenas quem será o candidato tucano. Elas vão decidir bem mais que isso.

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