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Forças Armadas nas eleições

Todas as (e)leições tiveram uma comissão de transparência. Membros de diferentes instituições e grupos civis são chamados  para acompanhar o processo, e legitimar sua validade.

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Forças Armadas nas eleições

Por Victor Vonn Serran - 12/01/2022

Todas as (e)leições tiveram uma comissão de transparência. Membros de diferentes instituições e grupos civis são chamados para acompanhar o processo, e legitimar sua validade.

Na resolução que vigorou durante as gerais de 2018, as entidades incluíam apenas partidos políticos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF), Controladoria-Geral da União (CGU), Polícia Federal, Sociedade Brasileira de Computação e Conselho Federal de Engenharia.

Ou seja, as Forças Armadas participavam em parte do processo (e)leitoral, mas não de todo o processo.

Alguns relatórios apareceram apontando fragilidades, mas como o processo de validação também era contestado, isso trazia algumas dúvidas ao (e)leitor. Em 2014 candidatos apontavam possíveis irregularidades, e no mandato do atual presidente, outras dúvidas foram colocadas no mesmo discurso. Mas todas as vezes que o processo foi questionado, os responsáveis por toda auditoria davam a resposta final, com relatórios unânimes, que faziam os questionadores engolir as queixas a seco.

Após a entrega do país ao civis na redemocratização, foi enfatizado culturalmente por muitos meios, uma depreciação da influência militar nos campos políticos do país. Exigir que os militares, atuassem em processos como o (e)leitoral, poderia sugerir uma interferência indevida, e causaria um desgaste ainda maior na imagem dos militares.

Sendo assim, para sugerir a participação dos mesmos na auditoria das (e)leições de 2022 (do começo ao fim do processo) era necessário encontrar uma necessidade incontestável, do ponto de vista que validasse esse pedido.

Teria de existir uma polêmica que fosse além dos relatórios do tribunal e sua confiabilidade, que envolvesse todos os veículos de mídia, trazendo a discussão para o âmbito nacional, no intuito de construir verdadeiramente uma reflexão sobre o assunto. Onde todos os setores da sociedade civil pudessem acompanhar e opinar sobre as questões e sua relevância.

E tivemos.

No último ano, os poderes da República entraram em conflitos complicados, onde um dos motivos era justamente a lisura do processo e os mecanismos envolvidos. Segundo os veículos de mídia, que perseguem o governo Bolsonaro, o presidente tinha saído derrotado da questão. O (v)oto auditavel não vingou no legislativo nem no judiciário.

Porém...

Barroso se viu obrigado pelo desgaste da polêmica a aumentar a comissão de transparência. Agora as Forças Armadas são habilitadas para acompanhar o processo do começo ao fim. Desde o deslocamento dos aparelhos, da própria votação em seu andamento, até a auditoria na famosa sala escura. E nessa, claro que os militares aproveitando a onda, pediram a solução de fragilidades apontadas anteriormente.

No primeiro teste aberto, marcado ainda antes da resolução, o exército não participou, em razão do formato do próprio teste. Agora para ter legitimidade também das Forças Armadas, o Tribunal Superior (E)leitoral terá de responder aos questionamentos dos militares. O aval deles, que validaria todo o processo, só virá depois disso, sendo que um general do próprio exército está empenhado na questão da tecnologia. Para quem ainda tem dúvidas em razão do último imbróglio envolvendo este general, sugiro um estudo do que seria o que chamamos na ala militar, de estratégia das pinças. Quando compreenderem o termo, vão entender a escolha.

Parece que fim das contas, tudo vai correr bem, e faz sentido o presidente estar tranquilo quanto a isso. A possibilidade de fraude ainda existe, mas não tenha dúvidas que para meter a mão esse ano, os caras vão ter de rebolar, como nunca rebolaram na vida.

E o bom disso, caso Bolsonaro seja reeleito, é que teremos da própria oposição uma validação do processo democrático praticamente sem contestação.

Ou seja, não vai poder falar que foi golpe. No máximo enxugar as lágrimas e amargar a derrota ao descobrir, com muita tristeza, que Bolsonaro se tornou uma das maiores forças políticas da história do Brasil.

E que isso não foi toa.


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