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Muita raposa e pouca uva

Assim que as movimentações do Aliança pelo Brasil começaram, os partidos de centro e esquerda, viram com desconfiança o crescimento do espectro de uma direita mais forte, e temeram de verdade a transferência de poder que se via consolidada na figura de Bolsonaro e seu fiel eleitorado. 

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Muita raposa e pouca uva

Por Victor Vonn Serran - 14/02/2022

Assim que as movimentações do Aliança pelo Brasil começaram, os partidos de centro e esquerda, viram com desconfiança o crescimento do espectro de uma direita mais forte, e temeram de verdade a transferência de poder que se via consolidada na figura de Bolsonaro e seu fiel eleitorado. E mesmo com o partido não sendo criado pelas obstruções artificiais, a preocupação ainda persistia.

Era preciso criar meios para que houvessem grandes alianças, para quando chegar a época, potencializar o que seria uma possível barreira de oposição que poderia impedir o avanço bolsonarista. Mas como fazer isso com tantas divergências ideológicas, regionais e políticas entre os partidos e suas prioridades?

Foi pensando nisso, que a ideia de cláusulas de barreira e desempenho, deram origem as conversas que terminaram na aprovação das novas regras sobre a federação partidária. Agora com as novas diretrizes, as siglas terão de ter candidatos únicos por até quatro anos, atuando como sigla única para poder estar no pleito de 2022 e 2024. Quem não atender os requisitos, está fora do jogo.

Isso em teoria daria mais poder a partidos velhos, e consolidaria os blocos de cabeças brancas do Congresso, aumentando a influência do Centrão em meio a debates sobre semi÷presidencialismo onde o legislativo reinaria. As divergências vão ter de dar lugar ao diálogo, mas as votações ficarão mais difíceis, já que agora a infidelidade partidária seria vista como sacrilégio no meio dos blocos unificados.

Acredito que todo o Congresso, e até mesmo a oposição, já veja como possível a reeleição de Bolsonaro, e trabalham não só para tentar impedir a reeleição, mas com todos os meios possíveis de dificultar para o presidente caso se eleja nos próximos quatro anos. Todo mundo está de olho na Câmara do ano que vem, e por isso fechar com Valdemar foi tão importante para o presidente.

O presidente do Senado e um ministro do Supremo começaram novas discussões sobre a lei do impeachment, e querem o tema no Congresso. Agora que os blocos de deputados serão mais coesos, penso na possibilidade de proporem diminuição do número de votos para a abertura de um impedimento, ou da exclusão de Aras ou mesmo da Câmara para instituir uma caçada no próximo mandato. Sei que Lira vai retaliar isso, e que na prática isso seja difícil de aprovar, mas vejo dificuldades no futuro e prefiro prestar atenção ao ignorar esses movimentos.

Por isso é fundamental não só reeleger Bolsonaro, mas também eleger bancadas de forma inteligente, para que Bolsonaro tenha base na próxima gestão e não precise se preocupar tanto com armadilhas que os inimigos insistem em manter.


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