Os heróis de verdade!

É estranho você pensar, que estamos em uma sociedade, que transformou os heróis dos quadrinhos e filmes, nos novos mitos adoráveis...

Divulgação/Biblioteca Cofen

Os heróis de verdade!

Por Victor Vonn Serran - 28/08/2021

É estranho você pensar, que estamos em uma sociedade, que transformou os heróis dos quadrinhos e filmes, nos novos mitos adoráveis. Uma máscara no rosto, e a vontade de salvar o mundo, foram coisas que nortearam a imaginação de nossas últimas gerações. Mas existe muita coisa a ponderar, e talvez, confrontados pela realidade de hoje, somos obrigados a refletir sobre isso.

É estranho você pensar, que estamos em uma sociedade, que transformou os heróis dos quadrinhos e filmes, nos novos mitos adoráveis. Uma máscara no rosto, e a vontade de salvar o mundo, foram coisas que nortearam a imaginação de nossas últimas gerações. Mas existe muita coisa a ponderar, e talvez, confrontados pela realidade de hoje, somos obrigados a refletir sobre isso.

O herói nasce da necessidade de se enfrentar um iminente perigo e corrigir uma injustiça social. Paralelamente a esse personagem, nasce também um opositor, que sempre tem uma visão de mundo diferente, ou quer se vingar pelo ressentimento causado por alguma determinada pessoa ou grupo.

O protagonista usa seus poderes especiais, lutando contra o ressentido para tentar restabelecer a ordem que foi transgredida. Seu antagonista, o olha com desprezo, rindo de sua ingenuidade quanto a percepção de determinado fato. No fundo, esse que se levanta como opositor, se acha o verdadeiro guardião da justiça, e vê no mocinho, um obstáculo para seus objetivos.

É justamente isso o que vivemos hoje.

Os ressentidos querem vingança, não uma justiça real, e limpa. Se acham os heróis de determinada causa, e estão dispostos a morrer por ela. E não importa se os perseguidores do passado são os mesmos, ou outros sem ligação direta, pois o ressentimento é a chave libertadora, que vai transformar uma sociedade contaminada, onde todos são algozes indireto da paz e da democracia.

E isso não tem e nem deve ter questionamento.

A prioridade de proteger, ou manter as liberdades, é deixada de lado. O contraditório também é separado com os inimigos, pois nessa busca frenética por justiça social, qualquer obstáculo se torna um agente do sistema, que também precisa ser eliminado. No fundo, os caras distorcem a ideia de herói, e o mundo precisa ser salvo, não importando se o omelete está sendo feito, desde que você quebre muitas cascas.

Assim nascem os capangas, sobre a alcunha de "revolucionários". Soldados vendados, prontos para morrer pela causa.

Desde que seja uma causa.

Os vilões são diferentes disso.

Atrás dos revolucionários estão os egoístas, os verdadeiros vilões que entenderam como funciona o sistema, e o usam para manter seu poder ou privilégio, alimentando a falsa percepção dos ditos justiceiros, usando essas pessoas como instrumentos para manter suas metas ambiciosas.

E no manto de justiça em que se vestem, enchem seus cofres, enquanto aparecem na lista da Forbes, queimando o dinheiro do contribuinte em luxos e requinte. Uma aura foi criada, e para eles, agora basta manter a mentira, pois a vida é uma selva, onde vence o mais forte. Defender os oprimidos é uma desculpa necessária, pois nas transformações do mundo, eles querem prevalecer como os salvadores dessa geração enganada.

Mas e os heróis?

Os heróis de verdade?

Os heróis de verdade, os pais de família, as mães, o bombeiro, o policial, o trabalhador no geral...todos eles são transformados em vítimas. Toda história precisa de vítima, pois sem vítima não existem heróis, nem vilões. O egoísta tem de tirar de alguém. E o herói salvar.

Durante muito tempo no Brasil, as coisas foram assim. Por isso chegamos nos piores índices de educação dos últimos trinta anos, por isso temos falta de leitos nos hospitais, por isso elegemos os crápulas. O final da novela, o campeonato brasileiro, o carnaval e o programa de domingo não nos deixavam questionar.

Mas tudo isso mudou de 2013 até agora, porque a internet tomou o lugar desses meios de comunicação. Você escolhe seu programa, sua música, seu produto e mais importante, você ganha uma lente nova para entender o mundo.

E isso abre questionamento.

Questionamento que eles chamam de "Polarização". De um lado, as pessoas que querem questionar o sistema, do outro, as pessoas que querem o manter. Com essa ruptura de 2013, um amadurecimento necessário para nossa evolução começa a se erguer. De que adianta viver em um dos países com mais recursos no planeta, se não podemos desfrutar de todo seu potencial?

Mas claro que o stabilshiment, os vilões, os capangas e até os inertes, vão lutar para manter tudo assim. Os interesses são trilionarios, e quem está no pico da pirâmide, não vai querer abrir mão do que roubou. Não falamos aqui apenas de partidos, ou concorrentes, mas de países e economia mundial. Muita gente perde e ganha dinheiro nesse jogo.

Mas o acidente que colocou uma bomba no sistema em 2017, bomba essa chamada Jair Bolsonaro, mudou o paradigma. Muitas pessoas acordaram, e muitos não vão querer adormecer novamente. A bandeira vira um novo assessório, e o "jeitinho brasileiro" agora é motivo de vergonha e repugnância.

Urge se criar um Brasil novo, onde os pais, os trabalhadores, os produtores e todo tipo de categoria lesada nos últimos trinta anos, rasga o rótulo de vítima, e assume seu verdadeiro posto, sem máscara ou engano, como protagonista na construção da democracia livre que tanto almejamos.

O posto de heróis de sua própria história.

Dia sete, todos às ruas.


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