Reunião fora da Agenda

As pessoas já entenderam que Bolsonaro quer esgotar toda a trilha jurídica para embasar alguma ação futura, mas não entendem como um impeachment que os Senadores não vão dar crédito pode ajudar na construção.

Reunião fora da agenda

Reunião fora da Agenda

Por Victor Vonn Serran - 25/08/2021

Eu tento responder alguma coisa no privado, mas muitas perguntas são quase do mesmo assunto. Por isso os textos diários, pois assim eu respondo uma quantidade maior de pessoas.

Uma dessas perguntas repetidas era sobre o impeachment do Ministro. As pessoas já entenderam que Bolsonaro quer esgotar toda a trilha jurídica para embasar alguma ação futura, mas não entendem como um impeachment que os Senadores não vão dar crédito pode ajudar na construção.

Pois bem, vou convidar vocês para alguns raciocínios. Digamos que Bolsonaro não tivesse entrado com o pedido. As ações dos ministros não iriam parar, e uma hora, com muita pressão, começariam a pressionar Lira para abrir o impeachment do presidente. Ele não iria abrir, provavelmente, mas isso traria mais desgaste para o líder da Câmara.

Ao abrir o impeachment de Moraes, o presidente muda o foco das atenções desviando esse desgaste para Pacheco, ao mesmo tempo que leva a opinião pública a questionar se as ações do supremo realmente seriam inconstitucionais. Notem que depois dessa manobra, a quantidade de isentos que adoravam bater no mito, tiveram de concordar que o supremo passou do limite em alguns inquéritos. Inclusive a discussão saiu do ambiente Bolsonarista, e está em vários fóruns de política.

Fux percebeu que os líderes das casas estão desentendidos, e que tentar aproximar os dois era bom para os togados. Por isso convocou uma reunião fora da agenda com Lira para conversar sobre, usando o pretexto dos precatórios.

E embora muitos achem que os governadores queriam palanque para Doria, convocando a última reunião, isso acaba por parecer desespero de não saber como será o desfecho. Se não houver ruptura, os governadores levariam o crédito. Se houvesse, seria uma tentativa de reaproximação do vencedor do embate. Bolsonaro deve ter sacado essa, e provavelmente não vai comparecer. O medo dos caras aumentou bastante depois da nota dos militares em caso de ruptura institucional.

E quando você acha que o frango está bom, o negócio começa a melhorar ainda mais. Uma juíza chamada Poliana Medeiros, negou uma ação contra Allan dos Santos, e abriu um precedente para questionar todos os inquéritos sem fim. Junte isso com o encaminhamento de Aras, e o apoio dos Senadores do PL e PP para aprovar Mendonça, e você terá a semana perfeita.

Faltando menos de quinze dia para o Sete de Setembro, toda a oposição começa a descabelar. O último recurso da malfadada CPI será fazer um dramalhão mexicano, usando parentes de vítimas do vírus Xingling, tentando imputar isso com alguma responsabilidade de Bolsonaro. Esse será o ato final da comissão mais mau vista dos ultimos vinte anos.

Não sei que fim deu a pesquisa sobre os mecanismos para acionar o Guinnes para acompanhar a manifestação. Se alguém souber de algo por favor me avise.

De resto, o de sempre:

Acompanhar o presidente até o dia da independência.


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