Sobrevivência política

Por não ter base parlamentar, o governo só consegue trabalhar através do apoio do Centrão.

Wilson Dias/Agência Brasil

Sobrevivência política

Por Victor Vonn Serran - 15/09/2021

Por não ter base parlamentar, o governo só consegue trabalhar através do apoio do Centrão. E embora não exista um prazer no executivo em continuar cedendo as exigências dos parlamentares do bloco para se manter tal sustentação, é importante frisar isso como uma questão de sobrevivência política.

Acreditar em outros meios para governar, é claramente uma inocência daqueles que intempestam, e é a própria história recente que nos diz isso. Dilma é um exemplo próximo e isso é uma coisa que sempre devemos lembrar.

Sendo assim, Arthur Lira encabeça o muro que protege o presidente. Não pela afinidade, mas pelo conjunto de vantagens que a associação proporciona ao líder da Câmara e a maioria do dito centro. Além da popularidade de Jair ser fundamental para as próximas eleições, o conjunto de emendas e verbas garante a fidelidade dos currais eleitorais.

É claro que o presidente sabe que é refém. Entende isso, e joga o jogo da melhor maneira possível. Pelo menos até haver possibilidade de mudança no sistema, como ele é hoje.

Justamente por esse fato, existe pressão política ao líder da Câmara, com ataques coordenados da oposição, que obriga Lira a apagar incêndios em várias frentes, de várias articulações que surgem dentro do próprio centro, entre os deputados. Por isso o governo se aproxima de figuras como Temer, Collor, Cunha e Jefferson. A ideia é usar nomes de influência política minando os ataques por dentro, trabalhando as informações dos bastidores, deixando o aliado na Câmara mais tranquilo para dar andamento nas pautas prioritárias.

Então é normal que tanto a oposição quanto a mídia tentem atacar também a esses aliados de ocasião. Vão sempre jogar os caras contra o presidente e fazer a opinião pública acreditar nisso (caso do jantar de Temer, ou dos processos reabertos de Ciro Nogueira), mas a verdade é que o jogo tem cartas marcadas. O presidente sabe quem está com ele, e quem não está, e todo apoiador deve usar Bolsonaro como norte na construção das críticas.

Se ele se pronunciar sobre tal indivíduo, nos pronunciamos também. Se não, calamos. O princípio é a simples linha do "Quem não ajuda não atrapalha", e na política, nem tudo que aparenta, realmente é o que se concretiza.

Outra coisa que vejo muita reclamação é sobre Aras. O pedido para o Supremo para interromper a MP do presidente sobre o Marco da Internet, tem um motivo simples. Aras sabia por interlocutores, que Pacheco devolveria o pedido e que até o STF iria intervir nisso.

Por isso fez o pedido primeiro. Assim a obstrução pelo Ministério Público teria uma observação para levar o caso para uma possível discussão (o que agradaria Bolsonaro) e não a simples linha que a MP era inconstitucional, configurando um possível abuso do presidente. Olhe o parecer de Rosa sobre isso, e verá que a linha de pensamento na qual queriam conduzir o debate era essa.

Existe uma camada superficial dentro de algumas ações. É preciso desvendar para entender, e não criar uma atmosfera de animosidade com os aliados nos primeiros atos.

A informação que tenho de amigos é que o relatório da CPI ficaria pronto até 25/09. O próximo passo dos caras é endossar esse relatório com laudos dos ditos "especialistas" para pressionar o PGR a não arquivar depois de uma análise preliminar. Mas o governo já se articula para isso também.

Ontem não fiz um texto pois estava suspenso das redes. Por incrível que pareça, fiquei de gancho nas três pela primeira vez, o que me leva a perceber que estou sendo observado de modo diferenciado. Indiferente a isso, obrigado pelas mensagens no privado, e pela preocupação da ausência.

E fiquem em paz no que tende a continuar por aqui. Minha intenção é permanecer incomodando.

Victor Vonn Serran


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