App para melhorar experiência sensorial de surdos foi desenvolvido por alunos

App escuta sons emitidos e faz com que o aparelho vibre em tempo real.

App para melhorar experiência sensorial de surdos foi desenvolvido por alunos Foto: Reprodução/Unsplash

App para melhorar experiência sensorial de surdos foi desenvolvido por alunos

Ciência e Tecnologia Por: Natalie Gallacci - 09/08/2021

Foi produzido por um grupo de alunos da Escola de Inovadores, um aplicativo que possibilita uma experiência sensorial as pessoas que tem deficiência auditiva. Usando uma programação de inteligência artificial o aplicativo Feel the Music (FTM, sinta a música, em tradução livre), que absorve os sons que estão sendo emitidos e faz com que o aparelho vibre no ritmo desses sons, em tempo real.

De acordo com os idealizadores do projeto, a ideia veio em um hackathon (competição entre programadores onde finalidade é esboçar a ideia de algum software que vise a resolução de determinado problema), onde a proposta era de achar novas ideias inovadores para o mercado de música. O FTM ficou em terceira posição na competição que ocorreu em 2020. Logo após, o programa foi inscrito na edição do primeiro semestre de 2021 da Escola de Inovadores da agência Inova CPS, quando se tornou um startup, sendo escolhido para a Vitrine Inova CPS. O Inova CPF é um curso de ampliação online e gratuito do Centro Paula Souza (CPS), que instrui os participantes a transformarem ideias inovadoras em startups. Os idealizadores do FTM, Victor Dias de Oliveira e Rafael Zinni Lopes, Ricardo Teruaki Fujikawa falaram que no decorrer do curso compreenderam qual seria a capacidade de amplitude da ideia.

Segundo Rafael Zinni, “Percebemos que o aplicativo poderia ser usado para levar acessibilidade não só para os aplicativos de música, mas também para transmissões de streaming e canais de vídeos, como Netflix e YouTube. Muitos desses canais mantêm apenas legendas como forma de acessibilidade e temos conhecimento de que muitas pessoas com deficiência auditiva não sabem ler, então, não são devidamente incluídas nesse mercado”. De acordo com Zinni, o app é designado tanto para quem sabe libras e não escreve, quem não sabe libras nem escritas, sabem libras e escrever. Com o FTM é possível criar um incentivo a mais para que quem tem deficiência auditiva sinta a vibração das letras para poder aprender a escrever.

“O app é importante para pessoas que lutam por acessibilidade no Brasil e nós estamos aqui como um auxílio pra eles. Podemos pegar qualquer aplicativo que tenha como base e fazer a tradução para a vibração e assim a pessoa sentir a emoção da música vibrando. Os resultados têm sido positivos entre aqueles que testaram”.

Zinni informou que a solução está sendo preparada com Interface de Programação de Aplicativos (APIs) em Python, direcionado para banco de dados e uma API que traduz o som de formas distintas do React.JS, também utilizado para o andamento do aplicativo. “O React é usado para trabalhar a interface que hoje se assemelha a um Ipod”, completou.

Será liberado primeiramente para sistemas Android a solução, para ter maior alcance em pessoas que não têm tanto poder aquisitivo.

Adriano Buzoli, um dos orientadores do time, instrutor na Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Ribeirão Preto, esclareceu que, além das mentorias e dos temas estudados, o curso disponibilizou aos alunos a chance de contato com profissionais peritos no mercado. “Criamos um elo com mentores voluntários focados em trabalhos com linguagem de programação, marketing e branding. Assim, os estudantes conseguiram tirar dúvidas, foram aprimorando novas versões do produto e puderam chegar ao modelo atual, que está muito próximo do que será lançado ao mercado. Trabalhamos muito também sobre a viabilidade economia, o posicionamento de marca do FTM e tivemos consultoria para a identidade visual. Esse estágio do projeto é crucial para as próximas etapas, como a Vitrine CPS”.

O programa foi escolhido pela Vitrine Inova SP, onde engloba os 50 melhores projetos da Edição Escola de Inovadores. Os escolhidos são conhecidos e examinandos por mentores, possíveis parceiros e investidores. Os dez mais apreciados da etapa vão participar do Acelera Inova CPS.


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