Escolas do estado de São Paulo poderão receber 100% dos alunos

A volta presencial será opcional.

Escolas do estado de São Paulo poderão receber 100% dos alunos Foto: News Network

Escolas do estado de São Paulo poderão receber 100% dos alunos

Educação Por: Natalie Gallacci - 03/08/2021

As escolas municipais, estaduais e particulares do estado de São Paulo estão autorizadas desde ontem (02/08), a voltar com as aulas presenciais, podendo comparecer 100% dos estudantes. As aulas presenciais foram interrompidas em março do ano passado, no início da pandemia pelo governo paulista. No começo desse ano, as aulas voltaram com um limite de 35% de ocupação.

O retorno presencial iniciado ontem (02/08) não será obrigatório, a esperança é de que a obrigatoriedade comece a valer depois de setembro, de acordo com a Secretaria Estadual da Educação, caso o aluno ou sua família optem por permanecer com o ensino remoto ou à online, o responsável precisará avisar a escola, responsabilizando-se a manter a frequência do estudante de modo digital.

Desde que o limite de distância entre os alunos seja respeitado, as escolas vão poder atender 100% dos alunos, cada escola ficará comprometida por estabelecer esse limite seguindo a sua capacidade física. Caso a escola não possa receber totalmente os alunos de maneira presencial, ela poderá aderir um sistema de revezamento.

Escolas Estaduais

Somente na rede de escolas estaduais existem 3,5 milhões de alunos que vão ser obrigados a utilizar máscara dentro da escola. De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, ao entrar na escola todos os alunos terão a temperatura medida, e caso esteja acima de 37,5 graus, será aconselhado que volte para a casa. Os protocolos também abrangem a higienização frequentes das mãos com álcool em gel 70% ou água com sabão, os ambientes tem que estar arejados com janelas e portas abertas. Especialistas dizem que o mais importante a ser aderido para combater a transmissão do COVID-19 é o uso de máscaras e ventilação.

Agora os servidores e professores deverão retornar às aulas presenciais sem revezamento, mas no caso dos que tenham comorbidades e estejam no grupo de risco, voltarão para aulas presenciais somente 14 depois de tomarem a segunda dose das vacinas ou a dose única da Janssen.

Escolas Municipais

Já nas redes municipais, o limite de atendimento vai de acordo com a capacidade física de cada escola, mantendo as medidas necessárias contra a COVID-19. De acordo com a Secretaria Municipal da Educação, todos os alunos matriculados na educação infantil, ensino fundamental e médio poderá ser atendido no modo presencial e em revezamento semanal em duas turmas. Agora nos Centros de Educação Infantil (CEI), 60% das crianças e bebês matriculados poderão ser atendidos, sem revezamento. Existe exceção somente para quem está no grupo de risco, onde podem permanecer pelo ensino remoto. Por hora a decisão do retorno das aulas presenciais fica a escolha dos pais ou responsáveis.

Valerá também desde ontem (02/08), estudantes na rede de ensino municipal vão ter acesso às atividades de recuperação, os que tenham mais atraso no aprendizado em relação ao ano ou série que estão matriculados.

Sociedade de Pediatria

Através de um comunicado da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), os pais não tem necessidade de ficarem receosos em mandar seus filhos de volta para as aulas presenciais, de acordo com a entidade, estudos tem mostrado que as crianças não são grandes transmissores do vírus e não costumam evoluir de forma grave.

Segundo o presidente do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Fausto Flor de Carvalho, “A pandemia de covid-19 tem afligido todo o planeta e tem sido especialmente grave em nosso país, com mais de meio milhão de brasileiros perdendo suas vidas precocemente. Não obstante a isto, o número de crianças afetadas de forma grave e que evoluíram de maneira desfavorável foi relativamente pequeno”.

“As pesquisas realizadas no Brasil e no exterior têm demonstrado que crianças não são grandes espalhadoras do vírus, que costumam ter quadros leves a moderados e quase metade delas são assintomáticas”, acrescentou. Para ele, a falta das aulas presenciais tem causado outros tipos de danos às crianças, tal como como distúrbios alimentares e de relacionamento interpessoal (distanciamento dos amigos e contato apenas com adultos), tirando a dificuldade de se concentrar. “Assim, cremos que é momento adequado para retomada de aulas presenciais. Os pais devem trabalhar com os filhos sobre as medidas de proteção e devem estar em contato com a escola. Qualquer sintoma respiratório a criança deve ser afastada e procurar o serviço médico para diagnóstico. Uma boa comunicação entre pais, escolas e profissionais da saúde vai colaborar para uma volta mais segura e com mínimos riscos a todos”, completou.

Já o sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) não é a favor do retorno das aulas atualmente. Para eles, o retorno das aulas só teria que acontecer depois de os professores terem tomado a segunda dose da vacina contra a COVID-19. “Mais do que ninguém sabemos que o lugar dos professores e estudantes é nas escolas, mas não é este o momento”, disse o sindicato.

Em um comunicado em seu site o sindicato disse, “O processo de vacinação dos profissionais da educação e da população está em curso. Portanto, não existe o menor sentido no retorno às aulas presenciais em agosto. Há professores que só receberão a segunda dose da vacina em setembro. Apenas após a vacinação de todos com a segunda dose e a garantia de todos os protocolos sanitários para garantir a manutenção do controle da pandemia é que poderemos retornar às escolas”.

Escolas particulares

De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), existem em torno de 12mil escolas particulares no estado, com 2,4 milhões de alunos no ensino básico. Segundo o sindicato, nas escolas particulares as aulas presenciais ocorrem desde março, porém, estavam com o limite de 35% sobre o número de matriculas. Desde ontem (03/08), depois de um tempo de férias, as redes particulares poderão voltar com até 100% dos alunos, desde que siga as normas exigidas.

"As escolas particulares seguem todos os protocolos recomendados pelo Plano São Paulo [plano de reabertura econômica do estado em vigência durante a pandemia], das autoridades de saúde e educação e o próprio protocolo do Sieeesp, elaborado por médicos, pediatras e especialistas", completou o sindicato.


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