Maior parte das vítimas de tráfico de pessoas é negra, aponta estudo

Pesquisa foi realizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com a colaboração do órgão das Nações Unidas

Maior parte das vítimas de tráfico de pessoas é negra, aponta estudo Foto: Pixabay

Maior parte das vítimas de tráfico de pessoas é negra, aponta estudo

Geral Por: Natalie Gallacci - 30/07/2021

Informações do Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas apontam que 72% das vítimas desse tipo de crime no Brasil é negra, a taxa leva em consideração as pessoas atendidas nos Núcleos de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O conteúdo, que abrange entre 2017 e 2020, foi mostrado hoje (29/07), véspera do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O material foi preparado em conjunto com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (Unodc).

É a primeira vez que a avaliação traz o recorte por etnia, sendo a terceira publicação. Segundo a pesquisa, entre as possíveis vitimas de tráfico de pessoas que foram atendidas somente no sistema de saúde, 37,2% são crianças, de acordo com a pesquisa, de 2017 a 2020 foram catalogaras 1.811 vítimas de 18 a 59 anos pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). Já no sistema de saúde, 615 vítimas potências foram contabilizadas.

Pelo Disque 180 foram recebidas 388 denúncias no período, 61% referente a exploração sexual. O Disque 100, entre 2017 e 2019 foram contabilizados acusações relacionadas a 79 vítimas, 45 referente a exploração sexual, 21 ao trabalho escravo, 11 de adoção ilegal e duas para a retirada de órgãos. Em comunicado, o Ministério da Justiça e Segurança Publica disse, no entanto, que ainda é preciso combater a subnotificação de casos, “consequência do receio ou vergonha das possíveis vítimas em denunciar os casos de tráfico de pessoas”.

Segundo Cláudio de Castro Panoeiro, Secretário Nacional de Justiça “estamos trabalhando em parceria com estados, instituições públicas e a sociedade civil para esclarecer ao cidadãos os possíveis riscos que possam torná-los vítimas do tráfico humano, sejam promessas de trabalho fáceis e lucrativas ou a entrega de passaportes e demais documentos a terceiros que possam retê-los em outros países”.

Nesta quinta-feira (29/07), o Ministério da Justiça firmou dois acordos de cooperação técnica para lutar contra o tráfico de pessoas. Um deles, foi feito em parceria com o Ministério da Cidadania, prevê a preparação referente ao atendimento a potenciais vítimas do tráfico de pessoas. Os cursos vão ser designados para profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que abrange os centros de referência de assistência social (CRAS) e os Creas.

O segundo acordo, feito com o Ministério da Saúde, prevê a capacitação de gestores e servidores, tal como a organização de pesquisas sobre a situação de saúde das vítimas, e campanhas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), apontadas pra a sensibilização do tráfico de pessoas.


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