Pesquisa da ONU indica influência de humanos em casos climáticos extremos

Pesquisadores e cientistas de 66 países tiveram atuação na avaliação.

Pesquisa da ONU indica influência de humanos em casos climáticos extremos Foto: Marion / pixabay

Pesquisa da ONU indica influência de humanos em casos climáticos extremos

Geral Por: Natalie Gallacci - 12/08/2021

O estudo publicado nesta segunda-feira (09/08), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), que será reforçado em 2022, apresenta uma das mais desenvolvidas pelo organismo, especialmente por relacionar a influência humana nos acontecimentos climáticos extremos, que, definidos com mais domínio em alguns fatos, não aconteceriam sem a atuação humana, tal como as secas, chuvas fortes e ondas de calor. A análise é da Thelma Krung, professora titular aposentada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), atual vice-presidente do IPCC e ex diretora do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com Thelma é inquestionável a intervenção humana no sistema climático como um todo, e a pesquisa da ONU traz com vigor processos mais apurados, informações melhores, ao retorno climático às emissões. “Isso fica muito bem caracterizado. É uma mensagem científica muito clara, e tenho certeza de que essas mensagens, que foram todas aprovadas por consenso na reunião do IPCC na semana passada, terão reflexo no IPCC como um todo, e esperamos que reverberem no mundo político”, declarou Thelma ao comparecer no webinário O Brasil e as Mudanças Climáticas: o novo relatório do IPCC, organizado pela Academia Brasileira de Ciência (ABC) e que teve transmissão pelo YouTube nesta terça-feira (10/08).

No webinário, foi mostrado as conclusões fundamentais do Grupo de Trabalho I do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC referente as bases físicas das alterações do clima. No encontro também estavam José Marengo, pesquisador sênior do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações; Lincoln Alves, pesquisador do Inpe e Paulo Artuxo, professor de física da Universidade de São Paulo (USP), que operaram no ciclo do IPCC, resultando na avaliação, que oferecerá orientação cientifica da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), em novembro, em Glasgow, na Escócia.

O webinário teve a presença de 234 autores de 66 países e o suporte de 36 editores de revisão. Eles garantem que todos os comentários apresentados pelos governos e minutas de relatórios sejam examinados um a um para impedir que não tenha nenhuma inclinação nas conclusões. Também foi realizado uma consulta em 14mil artigos científicos, segundo a vice-presidente, o IPCC não gera pesquisas, mas avalia os relevantes referente sobre o tema no mundo todo. Antes de ser publicado a última versão, é realizado uma verificação em duas minutas do texto. “Os relatórios do IPCC têm tido papel importante na ponte entre a ciência e a política, desde o relatório 1, que ajudou no estabelecimento da Convenção do Clima em 1992 na Rio 92.” Thelma ressaltou o interesse dos governos que os pesquisadores compreendam as necessidades de cada um para auxiliar a tomada de decisões, especificamente no fórum mais político, que seria a Convenção Quadro das Nações sobre a Mudança do Clima.

São 195 países-membros do IPCC, incluindo o Brasil da qual a estrutura é separada em três grupos de trabalho. O Grupo 1, que produziu o relatório publicado nesta segunda-feira (09/08), tem foco na base da ciência física do clima; Grupo 2, onde administram as adaptações, vulnerabilidades e impactos, que publicara um relatório em fevereiro de 2022; e o Grupo 3, que examina a diminuição das mudanças do clima, que deve publicar seu relatório em março de 2022.

“Enquanto o Grupo 2 tem a relevância de mostrar muitos impactos não só globais, mas também regionalizados, o 3 foca mais no que se pode fazer para limitar o aquecimento”, declarou Thelma, ao enfatizar que o IPCC tem uma força-tarefa que trata da produção dos manuais metodológicos para os inventários nacionais de gases de efeito estufa usados por todos os países integrantes.

Foi salientado pelo professor Paulo Artaxo a linguagem mais incisiva do diagnostico em relação as pesquisas passadas e recordou que modificações atuais realizadas no clima são generalizadas e rápidas. “Nosso papel de mudança no clima é absolutamente inequívoco e sem precedentes nos últimos 6.500 anos. O relatório também coloca recados para os tomadores de decisão. O IPCC não faz política, não é responsável pela redução de emissões, mas manda mensagens científicas, e a mensagem é que, a menos que haja reduções imediatas rápidas e em grande escala nas emissões de gases de efeito estufa, limitar o aquecimento em 1,5 grau pode ser impossível", disse o professor. Ele reforçou que essa é a voz da ciência, que leva em uma ocasião praticamente emergencial a necessidade de diminuição das emissões. Artaxo adicionou que, segundo cenários examinados, a Amazônia pode se transformar fonte de carbono para a atmosfera global, se acontecer uma diminuição muito considerável da absorção de carbono da Floresta Amazônica provocado pelo crescimento da temperatura e diminuição das precipitações.

Aquecimento Global

Segundo José Marengo, pesquisador, o aquecimento global pode não ser esclarecido apenas com fatores naturais, que se tornou perceptível desde 1980. Isso acontece também com casos extremos de chuva. “Assim como a temperatura, os extremos mostram que o efeito humano é nítido, claro, e é responsável por explicar melhor as tendências observadas particularmente nos últimos 20 anos.”

Foi examinado por Lincoln Alves, do Inpe, características locais no Atlas interativo do IPCC, apresentou o crescimento significativo nos acontecimentos extremos, seja de precipitações, de secas, entre outros. “As projeções indicam que cada 0,5 grau adicional de aquecimento causa de fato aumentos claros e perceptíveis na intensidade dos eventos de precipitação, bem como nas secas que temos observado em várias regiões do país”, completou.


Compartilhe