Terremoto, crises política e humanitária, compreenda o que está acontecendo no Haiti

Carência de alimentos, crescimento nas taxas de violência, assassinato do presidente, são algumas das dificuldades no país.

Terremoto, crises política e humanitária, compreenda o que está acontecendo no Haiti Foto: AFP or licensors

Terremoto, crises política e humanitária, compreenda o que está acontecendo no Haiti

Geral Por: Natalie Gallacci - 16/08/2021

Enquanto está passando por uma forte crise política, o Haiti foi atingido por um terremoto neste sábado (14/08), precedente da morte do presidente Jovenel Moïse, que ocorreu em julho deste ano. Além desta situação, os haitianos estão passando por uma crise humanitária nos últimos meses, com o crescimento da taxa de violência e a carência de alimentos, tudo isso durante a pandemia da COVID-19.

Crise política

O Haiti não conseguir efetuar alterações legislativas porem o Jovenel Moïse desmanchou o Parlamento e comandava e com isso pretendia executar uma polêmica de reforma constitucional. Ele foi assassinado por um grupo de mercenários e com isso um governo interino sucedeu o comando do país, até que ocorra como novas atualizações. Se tornando o país mais pobre das Américas e tem um amplo histórico de golpes de Estado e ditaduras.

Foi confirmado pela polícia que o esquema de assassinato do presidente foi desenvolvido por um pastor e doutor chamado Christian Emmanuel Sanon, que contratou mercenários colombianos para executar Jovenel Moïse e assumir o poder. De acordo com a primeira-dama Martine Moïse, que durante o ataque foi alvejada, mas sobreviveu, "Só os oligarcas e o sistema pode matá-lo", ela acredita que Sanon e os demais que foram presos, não tem dinheiro o bastante para contratar colombianos para executar Moïse. A esposa de Moïse alegou ter dúvidas referentes ao que houve com as seguranças da residência presidencial, pois nenhum guarda foi machucado, "Não entendo como ninguém foi atingido", disse. A primeira-dama que pretende se candidatar à presidência.

Crise humanitária

Com a crise humanitária que está crescendo e sendo enfrentada nos últimos meses, a taxa de violência elevada e a carência de alimentos. Segundo a coordenadora-geral do Médicos Sem Fronteiras no Haiti, Alessandra Giudiceandrea, "Um simples parto já é um desafio. Então, infelizmente não podemos pensar apenas em epidemias. É no dia a dia que haitianos não têm garantido o acesso à saúde básica. (...) Acho que a atenção às necessidades de saúde do país tem sido negligenciada. Conforme a necessidade existente, se compararmos com a situação de 10 anos atrás, eu não diria que houve qualquer avanço. Não mesmo ".

O país luta para combater a transmissão do COVID-19 com retardo, pois só foi as primeiras doses da vacina neste último mês. O Haiti contém 576 mortes confirmadas e em torno de 20 mil casos, de acordo com as pesquisas da Universidade Johns Hopkins, porém, supõe-se que os números sejam superiores, levando em consideração que a testagem no Haiti é pouca. O PIB per capita do país é de US $ 1,6 mil por ano (em torno de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US $ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).

Com 11,3 milhões de habitantes, o Haiti faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe e possui um dos menores Índice de Desenvolvimento Humano (IDHs) do mundo, 0,51.

Terremoto

Com um terremoto de magnitude 7,2 no sábado (14/08) e 5,9 neste domingo (15/08), as cidades de Jérémie e Les Cayes foram as cidades mais atingidas pelo tremor. Neste domingo também retroescavadeiras, caminhões e máquinas pesadas operavam para retirar os destroços do município de Les Cayes, próximo ao epicentro do terremoto que ocorreu no sábado, em torno de 160km da capital haitiana, Porto Príncipe.

Segundo Ariel Henry, primeiro-ministro do Haiti, "Meus sentimentos aos parentes das vítimas deste sismo que gerou tantas perdas de vidas humanas e materiais em vários departamentos [equivalente a estados] do país. Faço um apelo ao espírito de solidariedade e compromisso de todos os haitianos, a fim de nos unirmos para enfrentar esta situação dramática que vivemos. A união faz a força. ", Henry estado de emergência por 30 dias, lamentando as mortes e alegando que já mobilizou recursos do governo para dar apoio às vítimas.

Com mais de 5,7 mil pessoas feridas, o terremoto destruiu quase 15 mil casas, 2.868 edificações e danificou 5.410, foi para 1.297 o total de depois do grande terremoto que aconteceu no sábado (14/08), conforme as informações fornecidas pelas autoridades neste domingo (15/08). O terremoto deixou o país no limite, com hospitais lotados e os estragos deixados nas estradas, dificultando a passagem dos veículos que transportam suprimentos vitais para as vítimas.


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