Ucrânia aprova lei que considera qualquer ato e pensamento contrário ao judaísmo e Israel crime de “antissemitismo”

O parlamento da Ucrânia aprovou uma lei orwelliana declarando “o antissemitismo” e tudo que assim for considerado como tal, proibidos naquele país. Entenda melhor.

Ucrânia aprova lei que considera qualquer ato e pensamento contrário ao judaísmo e Israel crime de “antissemitismo” Foto: Reprodução O Sentinela.

Ucrânia aprova lei que considera qualquer ato e pensamento contrário ao judaísmo e Israel crime de “antissemitismo”

Geral Por: Thiago Silva - 02/10/2021

De acordo com informações do jornal “O sentinela”, a lei, que foi aprovada por uma maioria de 283 legisladores entre 450, é incomum, pois também considera o simples pensamento antissemita ilegal. A maioria dos países com leis contra o antissemitismo, como Alemanha, França e Holanda, criminalizam várias expressões do que seja considerado “ódio antissemita”, que pode ser trazido na linguagem politicamente correta como um sentimento contra a política de apartheid israelense e seu expansionismo ilegal, a luta pela autodeterminação palestina ou a ideologia sionista em si, mas não a condição de simplesmente pensar.

A chamada Lei de Prevenção e Combate ao Antissemitismo na Ucrânia define o antissemitismo como “Uma certa percepção dos judeus, expressa como ódio aos judeus”. Ele lista exemplos disso, incluindo o revisionismo histórico, chamado vulgarmente de “negação do Holocausto” colocando-o na categoria de “clamar, ocultar ou justificar o assassinato ou dano de pessoas de origem judaica”.

A lei não menciona a retórica de Israel, mas a Ucrânia é uma consignatária da definição de antissemitismo da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance, em português, Aliança Internacional pela Lembrança do Holocausto), que define alguns discursos contrários a Israel como antissemita.

Seis legisladores votaram contra, 40 se abstiveram e 33 não estiveram presentes durante a votação, de acordo com o site da Verkhovna Rada, o parlamento ucraniano. O presidente Volodymyr Zelensky, que é judeu e foi eleito em 2019, precisa assinar a lei para que ela entre em vigor.


Compartilhe