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PF cumpre mandados contra Ciro Gomes e irmãos por envolvimento em esquema de corrupção.

Operação aborda esquema de fraudes decorrentes de procedimento de licitação para obras no estádio Castelão no estado do Ceará.

PF cumpre mandados contra Ciro Gomes e irmãos por envolvimento em esquema de corrupção. Foto: Reprodução Jornal da Cidade

PF cumpre mandados contra Ciro Gomes e irmãos por envolvimento em esquema de corrupção.

Geral Por: Thiago Silva - 15/12/2021

Foi deflagrada nesta quarta-feira (15) uma operação encabeçada pela Polícia Federal (PF), que visa desarticular um esquema de fraudes envolvendo as obras do estádio Castelão, em Fortaleza, no Ceará. Entre os investigados da operação estão o pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, e o irmão dele, o senador Cid Gomes (PDT-CE).

“As investigações tiveram início no ano de 2017, sendo identificados indícios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa obtivesse êxito no processo licitatório da Arena Castelão e, posteriormente, na fase de execução contratual, recebesse valores devidos pelo governo do estado do Ceará ao longo da execução da obra”, diz a PF.

Participam da operação 80 policiais federais, que cumprem 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, em domicílios investigados em cidades de Fortaleza (CE), Meruoca (CE), Juazeiro do Norte (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA). As buscas têm como objetivo apreender mídias digitais, aparelhos celulares e documentos.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, além das práticas de corrupção ativa e passiva.

Família criminosa.

A Polícia Federal coloca os membros da família Ferreira Gomes como “cabeças” de uma associação criminosa instalada no governo cearense para favorecer empresários.

Os irmãos Cid, Ciro e Lúcio Ferreira Gomes, são apontados como integrantes do núcleo de “agentes públicos” dessa organização criminosa. A investigação se baseia na delação premiada de executivos da empreiteira Galvão Engenharia.

De acordo com a PF esses foram os argumentos e provas apresentadas a Justiça para a justificativa da operação realizada nesta tarde.

“Os atos sistemáticos de corrupção delatados resultaram em massivos ganhos para a empreiteira [Galvão Engenharia] e, como contrapartida, possivelmente proporcionaram o enriquecimento ilícito dos agentes públicos beneficiários, num esquema que permeou as duas gestões consecutivas do ex-governador Cid Ferreira Gomes no estado do Ceará”, diz a PF.

O juiz responsável por autorizar a ação da PF, disse que os irmãos recebiam “pagamentos sistemáticos de propinas”. No documento da decisão, que tem 92 páginas, o juiz Danilo Dias Vasconcelos de Almeida descreve como, segundo a PF, funcionava o esquema de corrupção envolvendo os políticos e a empresa Galvão Engenharia.

As ações delituosas teriam sido cometidas durante o mandato de Ciro como governador do Ceará tendo envolvimento dos irmãos do mesmo. De acordo com a investigação, muitas vezes as propinas eram disfarçadas de doações eleitorais. Abaixo está um trecho da decisão judicial.

“Os empresários (da Galvão Engenharia) realizaram/promoveram pagamentos sistemáticos de propinas, muitas vezes disfarçadas de doações eleitorais, ao então governador do estado do Ceará, CID FERREIRA GOMES, e a seus irmãos CIRO FERREIRA GOMES e LÚCIO FERREIRA GOMES, para viabilizar/agilizar pagamentos de obras e serviços de engenharia contratados pelo governo do estado do Ceará com a empresa, bem como, previamente, para garantir a vitória da Construtora nos correlatos procedimentos licitatórios, mediante o pagamento de propinas aos advogados que ocuparam sucessivamente o cargo de Procurador-Geral do Estado do Ceará — PGE à época dos fatos, FERNANDO ANTONIO OLIVEIRA e JOSÉ LEITE JUCÁ FILHO, tendo ambos funcionado no certame licitatório da Arena Castelão, figurando seguidamente como presidentes da Comissão Central de Concorrências do Estado do Ceará, onde tramitou o certame”, afirma Danilo Dias Vasconcelos de Almeida, na decisão de 92 páginas”.

Ciro Gomes se defende

Como se não fosse suficiente, o investigado Ciro Gomes acusou o presidente Jair Bolsonaro (PL), dizendo que a culpa de estar sendo investigado era de Bolsonaro que, segundo ele, transformou o país em um “estado policial”.

“Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um país democrático. Mas, depois da Polícia Federal, subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo à minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num estado policial que se oculta sob falsa capa de legalidade” escreveu.

O investigado se defendeu dizendo que o estádio do Castelão foi o “mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo” e afirmou que não tem “nenhuma ligação com os supostos fatos apurados”, por não exercer “nenhum cargo público relacionados com eles”.

“Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores, o que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que nunca me encontrou. Tenho 40 anos de vida pública e nunca fui acusado nem processado por corrupção. Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República”, afirmou.

Por fim, Ciro fez ameaças e disse que “essa história não ficará assim” e que vai “até as últimas consequências legais para processar” os que tentarem atacá-lo.

“Meus inimigos nunca me intimidaram e nunca me intimidarão. Ninguém vai calar a minha voz” completou.

Repercussão entre os “aliados”

Lula e Dilma se solidarizaram com Ciro Gomes através das redes sociais, os petistas, que entendem bem do assunto Polícia Federal, criticaram a ação da PF e se mostraram favoráveis ao investigado Ciro.

Lula afirmou que Ciro e seu irmão, Cid Gomes, “tiveram suas casas invadidas sem necessidade” e que ambos “merecem ser respeitados”. O petista também criticou a não consideração da “trajetória de vida idônea dos dois”.

Seguindo o “chefe” Lula, a ex-presidente Dilma também se solidarizou com os irmãos Gomes e disse repudiar “o arbítrio e a perseguição a eles”.

Ciro que a pouco tempo atacará os dois petistas, agradeceu o apoio prestado pelos mesmos.

As investigações seguem em curso, e novas informações e desdobramentos poderão surgir nas próximas horas.


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