É descoberto fóssil de dinossauro no interior de São Paulo

Artefato pode ser de espécie que viveu na área há 65 milhões de anos.

É descoberto fóssil de dinossauro no interior de São Paulo Foto: Divulgação/ Entrevias/ Direitos Reservados

É descoberto fóssil de dinossauro no interior de São Paulo

Geral Por: Natalie Gallacci - 02/08/2021

O fóssil, que foi encontrado a poucos centímetros da lateral de um talude, em uma obra rodoviária em Marília, no interior de São Paulo, aparenta ser de um Titanossauro. Ele foi descoberto na fase final do corte de material - que ficoususpenso por dois meses até a remoção completa do exemplar de um osso de pata, de um metro de cumprimento, finalizado na semana passada.

Para poder conservar uma raridade sepultada há milhões de anos, a rotina das equipes foi totalmente alterada. O fóssil foi encontrado a uma profundidade de 10 metros da superfície nas obras de duplicação da SP-333 – Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros, na divisa entre Marília e Júlio Mesquita, a 400 quilômetros de São Paulo.

Conforme previsto no Programa de Monitoramento e Acompanhamento Paleontológico, técnicos de engenharia e de meio ambiente da Entrevias Concessionária de Rodovias, responsável pela obra e licença do trecho rodoviário, decidiram cessar os serviços no local, já na fase final do cronograma de duplicação da rodovia.

Segundo Fábio Milano, gerente de Engenharia da Entrevias: “Sabemos da importância deste material para a história e a ciência. Nossas equipes são treinadas para a observação e acionamento do corpo técnico sempre que identificada a presença de material fora dos padrões nas escavações ou na terraplanagem. Esta descoberta é motivo de comemoração para todos que estiveram envolvidos neste projeto de ampliação da ligação Marília-Júlio Mesquita”.

De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que conduz a malha viária concedida no estado, conta que se compromete com a conservação de todas as peças históricas e artísticas que possam ser encontradas nos 11,2 mil quilômetros de rodovias paulistas em concessão. Desse modo, determina no contrato que a concessionária analise a legislação ambiental e de preservação de patrimônios artísticos e arqueológicos, obtendo todas as licenças prévias, qualquer que seja a interferência a ser feita nas redondezas.

Pedro Umberto Romanini, superintendente da gerência de Meio Ambiente da Agência, disse que: “Desta forma, durante as obras de melhorias nas vias, se forem encontradas peças que são, na verdade, tesouros da humanidade, sabemos que a obra será suspensa e que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) - no caso de peças artísticas - e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - quando são peças arqueológicas - serão comunicados e os achados terão o destino adequado".

Procedimento cuidadoso

A dificuldade em retirar um fóssil intacto foi assumida por paleontólogos do Museu de Paleontologia de Marília e da empresa A Lasca, começado com talhadeira e martelo, o procedimento de extração da formação rochosa no entorno do fragmento progrediu para um instrumento de perfuração de impacto mínimo, para impedir qualquer trinca que danificasse o fóssil. Rodeado de uma dura camada de arenito (uma rocha feita de areia aglutinada e cimento natural, densa como um quartzo), a retirada do fóssil durou cerca de dois meses de trabalho para os profissionais.

Ainda na sua forma bruta, o fóssil será conduzido para o Museu de Paleontologia de Marília, onde será cuidado e limpo. Em uma análise prévia, supõem-se ser um fêmur de um dinossauro do período cretáceo, conhecido como tempo final da “era dos dinossauros”, ocorrida há pelo menos 65 milhões de anos. Segundo Nilson Benuci, o geólogo que conduziu as escavações para a retirada do fóssil, “Acreditamos tratar-se da pata de um titanossauro. Após o salvamento e retirada da matéria do entorno teremos mais condições de estudá-lo detalhadamente”.

Na mesma área, no km 303, em 2009, paleontólogos acharam 70% de um esqueleto de titanossauro, com mais de 50 peças, localizam-se na Universidade de Brasília (UnB). De acordo com William Nava paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, o fóssil chegou nesta terça-feira (27/07) no Museu e que a peça ficará em exposição após a inauguração do museu, “Marília, e outras cidades da região, é muito rica neste tipo de fóssil, os titanossauros”, acrescentou.


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