Morte por ato policial é superior na Baixada Fluminense, de acordo com Boletim

O documento foi publicado hoje pelo Fórum Grita Baixada.

Morte por ato policial é superior na Baixada Fluminense, de acordo com Boletim   Foto: Isabela Kassow/Diadorim Ideias/Mapa de Cultura do Rio de Janeiro

Morte por ato policial é superior na Baixada Fluminense, de acordo com Boletim

Polícia Por: Natalie Gallacci - 28/07/2021

A agressão de policias é maior nas cidades que formam a Baixada Fluminense. A taxa de letalidade dos atos policiais nessa área é maior do que a registrada na capital e no estado do Rio de Janeiro, de acordo com um documento publicado hoje (28/07) pelo Fórum Grita Baixada (FGB). No primeiro semestre de 2021, 255 pessoas foram mortas por policiais na região, com uma taxa de letalidade de 6,52. Na capital, 291 mortes, com a taxa de 4,31, no estado foram 804 pessoas, com letalidade de 4,66.

As pesquisas do documento são fundamentadas nos números oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, onde constam que no ano passado, a polícia matou 404 pessoas na Baixada Fluminense. As taxas mostram que, proporcionalmente, há mais mortes na Baixada. Adriano de Araújo, coordenador executivo do Fórum Grita Baixada, especial que a comparação com o total da população, é uma referência usada no mundo inteiro para saber como taxas, não só de letalidade como também de contaminação ou homicídios. "Quando a gente acompanha os noticiários, nenhum imaginário popular, uma cidade do Rio de Janeiro é muito violenta com os conflitos das favelas, da Maré, da Rocinha. A Baixada nem aparece tanto assim em termos de violência da polícia, mas a violência policial aqui é muito maior do que na capital" afirmou.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada na Baixada Fluminense é de 3,9 milhões de cidadãos, enquanto na cidade do Rio são 6,7 milhões, o estado 17,2 milhões de pessoas ao todo.

A maioria dos moradores na Baixada (cerca de 62,25%) se nomeia como preta ou parda, o que faz da área, a uma das áreas mais negras do Rio de Janeiro. Os municípios com maior percentual de habitantes negros são Japeri (69,43%), Belford Roxo (66,59%) e Queimados (65,02%). “É importante dizer também que, em alguns municípios, a percentagem de pessoas sem identificação de raça é superior a 30%. A gente percebe que nos conflitos armados, nas operações policiais, uma população preta e parda é a principal vítima ”, ancestral Araújo.

Em toda a baixada 73% das 404 pessoas mortas pela polícia eram pretas ou pardas, segundo registrados registrados pelos próprios policiais. Ainda de acordo com os números do boletim, a maioria da metade das cidades da Baixada mostra a letalidade da ação policial maior do que na cidade do Rio de Janeiro nos primeiros seis meses de 2021.

A cidade de Japeri tem em torno de 8 vezes mais mortes por 100 mil moradores em ações policiais do que a cidade do Rio, Belford Roxo tem quase 3 vezes mais mortes na mesma comparação. Mesquita e Itaguaí são outros municípios que mostram as altas taxas de letalidade do ato policial, examinados a área entre os lugares do Brasil onde a polícia mais mata.

Para Lorene Maia, articuladora de territórios do FGB e mestre em políticas públicas, os números não a espanta “Não nos surpreende essa alta taxa de letalidade, mas vem se consolidando e ampliada à medida que esse discurso racista e higienista se desenvolver na nossa sociedade ( ...) Temos números que não nos deixam mentir. A gente já vem trabalhando com essa questão da letalidade e com a violência do estado, mas confirma uma perspectiva de que a violência na Baixada Fluminense é um quadro que vem se agravando e se mostra mais cruel e incisiva do que na capital do Rio de Janeiro e muito mais invisível também "adicionou Lorene.

A Baixada Fluminense é composta por 13 cidades: Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti, Seropédica, Belford Roxo, Duque de Caxias e Guapimirim.

O intuito do Fórum é de que o registro seja o primeiro de uma série que reconheça o racismo como mecanismo para a prática de crimes pelo Estado. Os boletins querem entender ainda as diferenças existentes na região, através de uma análise variada de dados em relação à violência, ao crime ou pobreza e de interpretações originadas nas declarações oficiais, inclusive nos relatos de moradores, das mídias, das vítimas e instituições locais.

Segundo o coordenador executivo do Fórum:

“A gente está tentando estabelecer um diálogo de como este tipo de violência acaba reforçando a dinâmica do racismo na sociedade brasileira".


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