Pior crise econômica em 30 anos: povo cubano vai às ruas protestar contra o governo.

Entenda por que milhares de pessoas estavam nas ruas protestando contra o Governo cubano.

Pior crise econômica em 30 anos: povo cubano vai às ruas protestar contra o governo. Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Pior crise econômica em 30 anos: povo cubano vai às ruas protestar contra o governo.

Política Por: Natalie Gallacci - 12/07/2021

O protesto realizado neste domingo (11/07) em vários pontos de Cuba, acabou sendo um dos maiores nesses 60 anos. "Isso é pela liberdade do povo, não podemos aguentar mais. Não temos medo. Queremos mudança, não queremos mais ditadura", de acordo com uma das participantes de San Antonio de los Baños, Selvia. Segundo ela, o protesto foi organizado no sábado (10/07) por meio das redes sociais.

Gritavam "abaixo a ditadura" e "liberdade", pelas redes sociais, inúmeros cubanos faziam transmissões ao vivo, sendo possível ver grupos de pessoas pedindo mudanças, protestando contra o presidente Miguel Díaz e seu Governo as cidade inicial foi San Antonio de los Baños, a sudoeste de Havana, crescendo e assim se alastrando para as outras cidades, de Pinar del Río, no oeste até Santiago de Cuba, no leste.

Conforme os protestos iam aumentando, o presidente Miguel Díaz, fez um apelo a seus seguires para irem às ruas para confronta-los. Por meio de uma mensagem divulgada por meio da televisão e rádio da ilha o presidente disse: "Estamos convocando todos os revolucionários do país, todos os comunistas, a tomarem as ruas e irem aos lugares onde essas provocações acontecerão", disse também que seu governo "está pronto para tudo e que estará nas ruas combatendo".

Em sua mensagem na televisão, Miguel acrescentou que: "Haverá uma resposta revolucionária", disse ele, conclamando os "comunistas" a enfrentar os protestos com "determinação, firmeza e coragem". Sua posição acabou gerando indagação nas redes sociais, insinuando que aparentemente o presidente estava "convocando uma guerra civil".

Protestos

Pessoas que estavam no protesto alegaram que os protestos estavam sendo dificultados pela policia em alguns videos é possível ver agentes especializados detendo os manifestantes. Após uma hora e meia, diversas transmissões começaram a ser interrompidas, porém outras em outros lugares da ilha começaram a aparecer, inclusive em Havana. "Eles estão cortando nossa conexão. Não podemos nem fazer ligações nacionais", disse Selvia.

Três pontos principais:

1. Crise econômica no país

Com a chegada da pandemia, o turismo, que é uma das principais fontes de renda do país, está completamente parada. Juntando com a inflação crescente, escassez de alimentos, medicamentos, produtos básicos e apagões. O governo sugeriu um novo pacote de reformas econômicas, ao aumentar os salários, fez disparar os preços. Economistas como Pavel Vidal, da Universidade Javeriana de Cali, na Colômbia, estimam que podem subir entre 500% e 900% nos próximos meses.

Alimentos e bens de primeira necessidade são vendidos em moedas nas quais a população não recebe seu salário, além de longas filas para as pessoas conseguirem comprar frango, sabonete, óleo, entre outros. Junto aos cortes de energia que se tornaram constantes. Com medicamentos básicos em falta nas farmácias quanto hospitais, algumas regiões por falta de farinha de trigo, começaram a vender o pão à base de abóbora.

2. Pandemia

Com um dos maiores aumentos de crises econômicas e de saúde, desde o chamado "período especial" (a crise no início dos anos 1990 após o colapso da União Soviética). Como um esgotamento da população, a situação atual é composta pela gravidade do coronavírus e as medidas econômicas do governo que está impedindo cada vez mais a vida em Cuba.

Durante os primeiros meses da pandemia, a ilha conseguiu ser mantida sob controle, porém tiveram um agravamento que os levou para ficar entre as áreas com mais casos registrados, em relação à América Latina. Na ultima semana, o país teve recorde diário de infecções e mortes, levando ao declínio os pontos de saúde. Apenas no domingo, foi registrado 6,750 casos de 31 mortes, apesar das denuncias referente aos números não mostrarem a situação real, pois algumas mortes pela COVID-19 estão sendo consideradas outras causas.

3. Internet

Após 27 anos do episódio que ficou conhecido como "Maleconazo", a situação é diferente: onde no governo de Fidel Castro o acesso à internet era controlado, seu sucessor e irmão, Raúl Castro, que deu passos que levaram a uma maior conectividade. Desde aquele momento, o povo cubano aproveita suas redes sociais para denunciar o governo, chegando ao ponto de autoridades usarem seus meios de comunicação oficiais para emitir posicionamentos sobre tais comentários.

Hoje em dia, a maior parte da população, especialmente os jovens, tem acesso à Instagram, Twitter, Facebook entre outras redes sociais. Levou também a aparição de vários meios de comunicação independentes, que debatem assuntos que não aparecem nas mídias oficiais, se tornando canal para que artistas, jornalistas e intelectuais exijam seus direitos ou convoquem protestos.

O governo cubano assegura que as redes sociais são utilizadas pelos "inimigos da revolução" para criar "estratégias de desestabilização" que seguem os manuais da CIA.


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