Militares assumem o poder na Guiné em meio a grave crise política

Desde domingo (05) militares da Guiné liderados pelo Tenente-coronel Mamady Doumbouya executam uma operação para restabelecer a ordem no país que vive grave crise política.

Militares assumem o poder na Guiné em meio a grave crise política Foto: Conakry / Guiné

Militares assumem o poder na Guiné em meio a grave crise política

Política Por: Thiago Silva - 08/09/2021

Desde domingo (05) militares da Guiné liderados pelo Tenente-coronel Mamady Doumbouya executam uma operação para restabelecer a ordem no país que vive grave crise política por conta do governo do até então presidente Alpha Condé. As tensões no país já vinham sendo constantes a anos e se reforçaram com a reeleição do presidente pelo terceiro mandato consecutivo, algo proibido pela constituição local. Sobe forte pressão popular junto a irregularidades e o declínio alarmante do país, os militares, decidiram reagir para restabelecer o equilíbrio nacional.

A primeira medida tomada foi cercar o palácio do governo em Conacri capital da Guiné, e deter o atual presidente, uma vez sobe o domínio militar, o Tenente-coronel Mamady fez um pronunciamento em rede nacional declarando suprimir a constituição em vigor, dissolver as instituições e o governo, assim como fechar fronteiras terrestres e aéreas até a regularização nacional. Presos políticos que foram detidos antes do golpe estão sendo soltos e atuais políticos que faziam parte do governo com Alpha Condé estão sendo presos ou voluntariamente se exilando.

Condé estava no poder há 11 anos após ser eleito nas primeiras eleições livres do país em mais de meio século e sua tentativa de usufruir do cargo para a tentativa de um terceiro mandato foi o inicio da revolta popular que já vinha insatisfeita com as graves crises políticas e econômicas que já perduravam a anos. Em um vídeo gravado logo após a instalação do golpe o Tenente-coronel fala aos seus compatriotas sobre a atual situação.

“Guineenses, caros compatriotas. A situação sociopolítica e econômica do país, a disfunção das instituições republicanas, a instrumentalização da justiça, (...) o desrespeito aos princípios democráticos, a politização da administração pública (...), a pobreza endêmica e a corrupção levaram o Exército Republicano da Guiné (...) a assumir a sua responsabilidade para com o povo soberano da Guiné como um todo. Depois de ter detido o presidente, que agora está conosco, decidimos dissolver a Constituição em vigor, dissolver as instituições e o Governo e fechar as fronteiras terrestres e aéreas. Chamamos os nossos irmãos de armas à unidade para responder às legítimas aspirações do povo guineense, os convidamos a ficar nos seus quartéis e a prosseguir as suas atividades, não vamos cometer os erros do passado”, acrescentou o coronel.

O tenente-coronel Mamady Doumbouya, que está surgindo como o novo homem forte da Guiné, é um militar experiente que recebeu treinamento em Israel, Senegal, Libéria e França. Ex-integrante da Legião Francesa, participou de diversas missões na Costa do Marfim, Afeganistão, Djibuti e República Centro-Africana, entre outros países. Em 2018 foi comissionado pelo Ministério da Defesa para criar um grupo de Forças Especiais dentro do Exército Guineense, que lidera desde então. No entanto, sua tentativa de funcionar de forma autônoma e sem prestar contas à administração distanciou-o do Governo, segundo fontes militares anônimas.

A ação segue sendo observada pelo mundo e novas noticias e desdobramentos podem surgir.


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