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Crise política na Líbia se agrava com impasse das eleições.

O caos se instalou no país com data para eleições gerais indefinida, anuncio de novo chefe de governo interino e ataque ao ex-premiê.

Crise política na Líbia se agrava com impasse das eleições. Foto: Reuters

Crise política na Líbia se agrava com impasse das eleições.

Política Por: Thiago Silva - 14/02/2022

Os problemas na Líbia parecem não ter fim, desde 2011 com o assassinato de Muammar Al-Gaddafi no levante rebelde conhecido como Primavera Árabe o país norte africano vive um caos político sem precedentes, com milícias armadas, polarização de poder, divisão territorial, e até a atuação política de dois primeiros-ministros, um do ocidente e um do oriente.

O país vive em guerra civil e a Organização das Nações Unidas assumiu um papel de mediadora na situação, tentando firmar um acordo de paz entre as duas extremidades dominantes para que se haja união em beneficio de um bem maior e comum; A reestruturação política do país. Os problemas são intermináveis, e a cada dia uma nova situação coloca ainda mais pressão em todos os envolvidos no atual cenário líbio.

Adiamento das eleições

Sem duvidas esse foi um dos principais motivos recentes para o acaloramento da situação no país. Eram esperados cerca de 2,8 milhões de eleitores na eleição geral marcada para o dia 24 de dezembro do ano passado, porém a mesma foi cancelada a dois dias do pleito quando a Comissão Eleitoral do país anunciou que, apesar da disponibilidade técnica, não poderia atender a data agendada para as eleições nacionais.

A Comissão relatou dificuldades relacionadas à inadequação da legislação eleitoral e ao processo de contestações e recursos relacionados à elegibilidade dos candidatos. Assim sendo, foi solicitado que a Câmara dos Representantes estabelecesse outra data para o primeiro turno nos próximos 30 dias, de acordo com o previsto em lei, para que as questões sejam solucionadas.

De acordo com veículos de imprensa locais, embora a Comissão Eleitoral tenha pedido o adiamento do pleito por um mês, não se descarta que o Parlamento amplie esse prazo. Enquanto isso as negociações continuam entre as duas administrações.

Atentado ao ex-premiê

Na última quinta-feira (10), o ex-premiê Abdel Hamid Dbeibah, foi alvo de um atentado quando estava a caminho de Trípoli, capital da Líbia. A informação foi divulgada em comunicado pelo porta-voz do ministério do Interior, Abdulmenem al-Arabi.

De acordo com o comunicado, homens fortemente armados em um carro sem placas atacaram a comitiva de Dbeibah quando a mesma passava pelo distrito de Souk al-Juma, o ex-premiê, que estava no banco do passageiro ao lado do motorista, teve seu carro alvejado por diversos disparos, porém, tanto ele quanto aos demais integrantes da comitiva não foram feridos. O caso está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da Líbia.

Dbeibah foi escolhido pela ONU para assumir o posto de premiê interino e levar o país a unidade nacional por meio da formulação de eleições gerais onde o povo líbio escolheria os seus governantes, o que em tese definiria a regularização democrática da Líbia. Porém Dbeibah falhou e quando se lançou a candidato presidencial no ano passado o pleito foi cancelado, o que gerou incomodo nas facções locais que questionaram sua legitimidade no cargo aumentando a pressão sobre o governo interino.

Novo chefe de governo interino

Poucas horas depois do atentado, o Parlamento de Tobruk, em união com o Conselho de Estado de Trípoli, escolheu um novo premiê para substituir Dbeibah. Para tal posto havia dois postulantes conhecidos da política líbia: o ex-ministro do Interior Fathi Bashagha e o político Khaled Amer Bashid al-Bibas, saindo vencedor do pleito, depois de uma conturbada votação, Fathi Bashagha.

Apesar de tudo estar aparentemente resolvido, o antigo premiê, Abdel Hamid Dbeibah, contestou todo o processo eletivo que nomeou Bashagha, afirmando ainda que não reconhece o pleito e que permanecerá no cargo até as eleições presidenciais e legislativas serem realizadas. A ONU ainda reconhece Dbeibah como primeiro-ministro, mas admite que a decisão final esta nas mãos dos líbios.

Bashagha, por sua vez, pediu ao governo cessante uma transição pacífica de poder, agradecendo ao "Governo de Unidade Nacional pelos seus esforços" e a "Abdul Hamid Dbeibah, por ter assumido as suas responsabilidades em um período difícil".

O parlamento líbio justificou a decisão de nomear um novo governo por conta da incapacidade de Dbeibah em organizar as eleições gerais. A Líbia tinha eleições presidenciais e legislativas agendadas para 24 dezembro, um passo decisivo em um processo de paz mediado pela ONU, que acabou por ser adiado dois dias antes da votação, devido a divergências quanto à lei eleitoral.

Missão de paz da ONU terá mais três meses de duração

Em meio a todo caos político vivido na Líbia, a ONU emitiu um comunicado no último dia 31 de janeiro confirmando o prolongamento da MANUL (Missão de Apoio da ONU na Líbia) até o dia 30 de abril. O texto votado e aprovado por unanimidade não menciona quando vão ser realizadas as eleições gerais, de acordo com a Organização escolher essa data é o principal objetivo da missão.

Em um comunicado conjunto divulgado no final de dezembro, Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e Itália também exigiram que fosse rapidamente decidido um novo calendário eleitoral.

Apesar de todos os esforços, ainda existe muita indefinição em todas as áreas do país e novos desdobramentos são aguardados nos próximos dias.


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