Ministério Público volta a denunciar ex-vereador por violência contra mulher

Acusado de homicídio triplamente qualificado, o ex-vereador também tem registro de agressões entre 2014 e 2020.

Ministério Público volta a denunciar ex-vereador por violência contra mulher Foto: Renan Olaz

Ministério Público volta a denunciar ex-vereador por violência contra mulher

Política Por: Natalie Gallacci - 21/07/2021

Conhecido como Dr. Jairinho, o ex-vereador do Rio de Janeiro, atualmente preso por acusação de homicídio triplamente qualificado, foi denunciado novamente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).  Desta vez, a 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica, da área Oeste/Jacarepaguá do Núcleo Rio de Janeiro, ofereceu denúncia à Justiça pelos crimes de: lesão grave, lesão leve, lesão na modalidade de danos à saúde emocional e vias de fato feitos em uma ex-namorada entre 2014 e 2020.

Para os promotores, “os fatos tiveram como pressuposto motivação de gênero ou situação de vulnerabilidade decorrente da subjugação ou submissão feminina ocorrida dentro de uma relação íntima, ocasionando violência doméstica consubstanciada em opressão contra a mulher”. Na acusação, a promotoria acrescentou o pedido de prisão preventiva contra o ex-vereador.

Acusações

De acordo com o Ministério Público em outubro de 2015, Jairinho estuprou uma namorada após dopa-la e ter as relações sexuais sem consentimento da vítima. Dezembro de 2016, furioso por ser ignorado, realizou ofensas verbais e agressões físicas, chutes que causaram uma fratura no pé da ex-namorada.

Foi acrescentado pelo MP também que, ao longo de um final de semana de lazer em Mangaratiba, região metropolitana do Rio, em 2020, depois de ficar furioso em não ter acesso livre ao celular da vítima, Jairinho deu um mata leão na ex-namorada, que foi forçada a ir para fora da casa, no intuito de não chamar atenção, e então no jardim, agrediu a mesma. Mais uma agressão aconteceu em abril do mesmo ano. Jairinho tinha ido até a casa de sua ex-namorada, “já alterado e cobrando explicações acerca de um comentário que a vítima havia feito nas redes sociais”. Forçou a vítima a entrar no seu carro para conversar, onde foi agredida com um soco na lateral do rosto e violentos puxões de cabelo.

Agressões psicológicas

Segundo a denúncia do Ministério Público, entre novembro de 2014 e outubro de 2020, ocorreram inúmeras violências realizadas por Jairinho em “incontáveis oportunidades, com o firme propósito de promover desequilíbrio emocional da vítima a fim de dominá-la, mediante práticas de perseguição, invasão de domicílio, ameaças e ofensas morais. Jairo ocasionou danos à saúde da vítima, espécie de lesão corporal na modalidade de enfermidade emocional denominada ansiedade, tendo a vítima sofrido taquicardia e chegado a receber atendimento de emergência quando constatados 230 bpm [batimentos cardíacos] em situação de repouso”. Além de utilizar inúmeras maneiras de aterrorizar a vítima psicologicamente, rondando a casa dela, aparecendo de surpresa nos lugares e obrigando-a a ir embora, ligava várias vezes durante o dia, querendo controla-la, exigindo que ela ficasse no telefone durante a madrugada com ele para afirmar que ela estava em casa e sem ninguém.

Mais alguns fatos considerados relevantes pelo Ministério Público foram as ameaças diretas contra a mulher e seus filhos, além da pressão mais de uma vez para que a mesma largasse seu emprego, tirando sua garantia financeira. Desqualificava a vítima também, “Após agredi-la afirmava que nada tinha feito e que a vítima estava ficando louca, fazendo-a duvidar de sua sanidade mental e, permeando a todas as práticas abusivas, utilizava-se de seu cargo político, prestígio e poder para fazer crer que tudo podia fazer e que jamais receberia qualquer tipo de reprimenda legal”.

Jairinho está preso desde abril deste ano, sendo acusado de homicídio triplamente qualificado, fora a morte do menino Henry, o ex-vereador foi denunciado pelo Ministério Público Estado do Rio de Janeiro em mais dois casos de torturas em filhos de ex-namoradas e violência doméstica. No dia 30 de junho, perdeu o mandato de vereador por quebra de decoro parlamentar, com a decisão unânime da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Monique, mãe do garoto Henry, está presa desde o dia 8 de abril também.

Na sexta-feira passada (16/07), o juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da capital, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), manteve a prisão preventiva de Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, acusados da morte de Henry Borel, no dia 8 de março deste ano. O garoto convivia com Jairinho, depois das investigações, a polícia do Rio constatou que a morte de Henry, de quatro anos, foi gerada por agressões no apartamento em que morava com o casal. Antecedente disso, o garoto já havia sido torturado no dia 12 de fevereiro, segundo as mensagens trocadas entre a baba Thayna e a mãe Monique, recuperadas pela polícia com a utilização do software israelense Cellebrite Premium. Henry foi levado para o Hospital Barra D'Or, porém infelizmente já estava morto, segundo avaliação médica.


Compartilhe