Aplicativo ajuda a identificar a COVID-19 por meio das tosses

Com precisão de 80% à 85%, testes já foram realizados em milhares de pessoas da América Latina.

Aplicativo ajuda a identificar a COVID-19 por meio das tosses Foto: Istock / Folha de Londrina

Aplicativo ajuda a identificar a COVID-19 por meio das tosses

Saúde Por: Natalie Gallacci - 12/07/2021

O programa criado em algoritmo de inteligência artificial (IA) pela organização internacional sem fins lucrativos Virufy, com a finalidade de identificar o COVID-19, com exatidão de 80% à 85%, o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, em Santa Catarina já começou com os testes clínicos, já está em negociação com outros hospitais da região Norte, Nordeste e Sudeste, para aumentarem os testes, será incluso redes privadas de saúde e hospitais universitários.

Segundo Soraya Cavalcanti, gerente do Virufy: "Quanto mais regiões, melhor, porque permite ao algoritmo identificar as diversas variações em sons da tosse e das pessoas das diversas regiões. O nosso objetivo é expandir as parcerias com hospitais para que essa pesquisa clínica possa auxiliar no aperfeiçoamento do aplicativo em IA para gerar resultados mais precisos"

A equipe da Virufy é composta por mais de 50 pesquisadores estrangeiros de 25 universidades e 20 países, entre os ele: Inglaterra, Japão, Brasil, Colômbia, México, Estados Unidos, Argentina, e Peru, e por especialistas médicos, técnicos e jurídicos de instituições como Stanford, Google e Princeton.

Logo no inicio da Pandemia, Amil Khanzada, fundador da organização e engenheiro de software (programa de computador) do Vale do Silício já havia notado junto com outros pesquisadores da Universidade de Stanford, que fica nos EUA, que existia um padrão no som da tosse das pessoas que estariam infectadas com o coronavírus, podendo assim, criar uma nova tecnologia que pudesse identificar a COVID-19 por meio de um aplicativo para celular.

Por meio desta ferramenta machine learning (aprendizado de máquina, um método de análise de dados que automatiza a construção de modelos analíticos), o padrão pode ser destacado, de uma forma que, alimentando o algoritmo com diversos tipos de tosse, poderá fazer com que identifique a possibilidade de a pessoa estar com o vírus. Segundo Soraya "Como a empresa não tem fins lucrativos, a ideia é disponibilizar esse aplicativo de forma gratuita, para facilitar na detecção (da doença) por meio somente do som da tosse".

Foi esclarecido pela gerente da Virufy também que esses números são de agora, conforme as tosses que foram doadas. "Quanto mais tosses forem doadas, mais a gente assina a probabilidade de acerto desse algoritmo. A tendência é que, com a expansão dessa testagem clínica, esse número suba e, aí, a assertividade dele fique cada vez maior". acrescenta. A expectativa para o Brasil é de aumentar os testes em parceria com as clinicas, para poder trabalhar no uso do aplicativo.

O aplicativo não foi lançado ainda pois está na fase de coleta de tosses, de acordo com Soaya "Quando ele estiver em uma porcentagem mais afinada, conseguiremos lançar o aplicativo para ser utilizado de forma gratuita e auxiliar no pré-diagnóstico. A gente o considera como uma ferramenta de auxílio ao diagnóstico da covid-19. A ideia do aplicativo é auxiliar a entender a probabilidade do contágio". Se o resultado mostrar grande possibilidade, isso já indica o usuário a procurar uma unidade básica de saúde e isolamento social. Caso seja baixa, é indicado que os sintomas continuem sendo monitorados, e faça a testagem mais vezes.

O projeto será dividido em duas partes no Brasil. A primeira é a coleta de tosses, das pessoas que apresentam sintomas da COVID-19, segundo o especialista em fisiologia e coordenador responsável pelos testes, Diego Carvalho "O vírus traz alterações no pulmão, garganta e nas vias respiratórias superiores que alteram a tosse e a fala", mudanças sutis que o ouvido humano não consegue assimilar. As tosses vão ser usadas para treinar o algoritmo para padrões brasileiros.

A segunda parte, com o algoritmo já desenvolvido, o intuito é aplica-lo em uma pesquisa com pacientes reais que tenham testado tanto positivo quanto negativo para COVID-19. Segundo Diego Carvalho: "Quando um paciente for ao Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, para fazer o [exame de] PCR, será convidado a participar da pesquisa e tossir num celular. Coletaremos esses dados de exames PCR e tosse e cruzaremos os dados". Mesmo que o programa não substitua os testes hospitalares, detectando o vírus de forma precoce e imediata, incentivando o paciente a procurar ajuda e fazer a quarentena. “É uma ferramenta importante de detecção precoce, mais barata para aplicar em larga escala e a intenção da Virufy é fornecer de graça para a população”, acrescenta Diego.


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