1ª cirurgia contra diabetes tipo 2 registrada no Brasil realizada com robô

Procedimento foi guiado pelo médico cirurgião Alcides Branco

1ª cirurgia contra diabetes tipo 2 registrada no Brasil realizada com robô Foto: Renato Silvestre

1ª cirurgia contra diabetes tipo 2 registrada no Brasil realizada com robô

Saúde Por: Natalie Gallacci - 03/08/2021

O primeiro paciente com diabetes do tipo 2 a realizar a cirurgia metabólica robótica em todo o mundo, foi o empresário Edmilson Dalla Vecchia Ribas, de 61 anos. O procedimento foi realizado no mês de julho, no Hospital Marcelino Champagnat, ligado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba.

Segundo Ribas, “já sai do hospital sem tomar insulina, foi uma grande vitória. A recuperação foi muito rápida, eu já estou com a vida normal, dirigindo, trabalhando, perdendo peso. Foi uma cirurgia com muito sucesso”. Hoje, ele se declara curado, “é uma vitória da medicina e do Doutor Alcides. É realmente um cara bom no que faz”, completou.

Edmilson se referia ao médico cirurgião do aparelho digestivo Alcides Branco, encarregado pela cirurgia metabólica e iniciador na técnica robótica.

O médico disse que o uso do robô deu mais segurança e resultado para os pacientes. Antes, era feito uma incisão na barriga do paciente, depois evoluiu pra a laparoscopia (técnica cirúrgica minimamente invasiva, onde pequenas incisões são realizadas na área abdominal) e, agora, a cirurgia feita com ajuda dos robôs. Segundo o médico “Isso trouxe uma qualidade em termos de pós-operatório e os pacientes tem um resultado muito positivo.”

A cirurgia metabólica é uma cirurgia do trato gastrointestinal (com a utilização de técnicas da bariátrica) para diabetes do tipo 2.

Mais três pacientes estão cadastrados para realizar a cirurgia com auxílio do robô. De acordo com o médico, doença tem um amplo tratamento clínico, mas existem uma porcentagem pequena de pacientes que não responde ao uso dos medicamentos.

“O robô é uma ferramenta nova que veio somar no tratamento cirúrgico no diabetes, trazendo mais qualidade cirúrgica, mais segurança, resultados e melhor performance. Faz parte da evolução.”

Contudo, Alcides Branco reparou que nem todos os pacientes com diabetes do tipo 2 podem se sujeitar à cirurgia metabólica robótica. Somente em casos de o paciente não apresentar melhoras com o tratamento clinico ou insulina, é indicado a cirurgia, a triagem pode ser realizada pelo clinico geral ou endocrinologista. Alguns dos critérios para o procedimento são: ter menos de 70 anos de idade, fazer uso de insulina, pessoa ter sido diagnosticada com diabetes há menos de dez anos, usar dois ou três comprimidos por dia e ter obesidade grau 1, ou seja, Índice de Massa Corpórea (IMC) abaixo de 35., entre outros. Caso o paciente seja obeso mórbido, o aconselhado é a cirurgia bariátrica. Segundo o médico, o propósito da cirurgia do diabetes é estimular o pâncreas a fabricar insulina. De acordo com os dados da Federação Internacional do Diabetes (IDF, da sigla em inglês), de 2019, o Brasil tem em torno de 17 milhões de adultos convivendo com diabetes, sendo que nove em cada dez casos são de diabetes tipo 2.

Procedimento

Na cirurgia robótica, o cirurgião comanda um robô de quatro braços mecânicos equipados com inúmeras ferramentas médicas através de um painel de controla na sala de cirurgia. O dispositivo tem câmeras que entregam imagens em 3D, aumentadas em até 20 vezes, com braços articulados em até 360°, o que possibilita ter maior liberdade de controle do movimento.

Uma das maiores vantagens do robô é a garantia de maior precisão de movimentos e um procedimento menos invasivo, com menos tempo de cirurgia e recuperação mais rápida do paciente do que nos meios convencionais.


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