Fiocruz faz aviso para novas variantes da COVID-19

Pesquisas alegam que cenários de risco podem aparecer e a pandemia ainda não acabou

Fiocruz faz aviso para novas variantes da COVID-19 Foto: Pixabay

Fiocruz faz aviso para novas variantes da COVID-19

Saúde Por: Natalie Gallacci - 07/08/2021

De acordo com a nova publicação do Boletim Observatório COVID-19, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que o aparecimento e aumento das novas variantes do novo COVID-19, tal como a Delta, abrem um alerta. Conforme a pesquisa, cenários de transmissão risco podem aparecer e a pandemia ainda não acabou.

Segundo a Fiocruz, o alto nível de risco de transmissão do vírus Sars-CoV-2 pode ser piorado por conta da maior transmissibilidade da nova variante, por esta razão, é essencial continuar o uso da máscara e tomar a vacina contra a COVID-19, inclusive campanhas de orientação para as pessoas que ainda não tomaram a vacina. Foi confirmado pela pesquisa também a reversão no procedimento de rejuvenescimento da pandemia no Brasil. “Novamente, as internações em leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente, o número de óbitos concentram um maior número de idosos” retratou.

O acontecimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ainda continua em níveis altos, muito altos ou extremamente altos no país, como apontam as informações das semanas epidemiológicas 29 e 30, entre 18 e 31 de julho de 2021. Do modo que a maior parte dos casos da doença é relativa aos casos de infecção pela COVID-19, esses níveis apresentam uma transmissão significativa do vírus Sars-CoV-2.

Foi recomendado pelos pesquisadores do Observatório, entre as medidas de proteção uma das principais é completar o esquema vacinal, com a finalidade de proteger contra casos sérios e mortes causadas por COVID-19. “É fundamental o esquema vacinal completo para todos os elegíveis, a fim de proteger contra os casos graves e óbitos por COVID-19, incluindo os relacionados à variante Delta, além da necessidade de ampliar e acelerar a vacinação”, completaram.

A publicação travou também que a intensidade de casos de internações entre os idosos, na atualidade é 37,5%, ficou em 27,1% na semana 23 entre os dias 6 e 12 de junho. A intensidade de mortes, onde na mesma semana era de 44,6% agora está em 62,1%. O relatório apresentou ainda uma diminuição importante más internações das faixas etárias de 50 a 59 anos e uma redução discreta entre 40 e 49 anos. Ainda assim, os cientistas avisaram que “qualquer conclusão sobre a mudança apontada no perfil da pandemia no Brasil ainda é precoce e deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas”.

De acordo com o relatório, o perfil de letalidade por idade nos podes é de baixa e média renda, igual o caso no Brasil, é distinto do observado em países ricos. “Os mais jovens enfrentam um risco maior de morrer em países em desenvolvimento do que em países de alta renda. Isso ocorre porque as populações não idosas nesses países têm uma maior incidência de doenças preexistentes e menos acesso a tratamentos e cuidado que potencialmente salvam vidas”, dizia.

Um complicador da circunstância são as taxas de emprego informal mais altas, transportes públicos completamente cheios e casas precárias com bastante moradores para poucos cômodos, que são aspectos de países de baixa renda e colocam os cidadãos em grande risco de exposição ao Sars-CoV-2. “Esses riscos parecem afetar desproporcionalmente adultos não idosos e reforça nossa impressão inicial de que a vulnerabilidade específica à idade na pandemia varia, o que é fundamental para determinar se e como a adaptação das políticas de distanciamento”, constataram.

Ainda que os números sejam alarmantes, na avaliação dos pesquisadores, a boa notícia do boletim é o declínio de letalidade por COVID-19, a taxa diminuiu 1,3% ao dia, ao mesmo tempo que a taxa de incidência de casos de COVID-19 foi reduzida em 0,3% por dia, “A maior redução da mortalidade e menor da incidência pode ser resultado das campanhas de vacinação, que seguramente reduzem os riscos de agravamento da doença, mas não impedem completamente a transmissão do vírus Sars-CoV-2”, afirmaram.

O otimismo dos testes, que até então permanece alta, aponta que há demasiada movimentação do vírus, a taxa de mortalidade está em cerca de 2,8%, nível elevado quanto em outros países que adotam testagem em massa, cuidados intensivos para doentes graves e medidas de proteção coletiva. “O elevado patamar de risco de transmissão do vírus Sars-CoV-2 pode ser agravado pela maior transmissibilidade da variante Delta, em paralelo ao lento avanço da imunização entre os grupos mais jovens e mais expostos, combinado com maior circulação de pessoas pelo retorno das atividades de trabalho e educação. Nesse sentido, é importante refutar a ideia de que a vacinação protege integralmente as pessoas de serem infectadas e transmitir o vírus, o que pode se tornar um risco adicional com a nova variante de preocupação Delta”, alegaram os pesquisadores.

Leitos

As taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), em adulto, no Sistema Único de Saúde (SUS), continuam melhorando. De acordo com o relatório, 19 estados registraram taxas de ocupação menores que 60% e, por esse motivo, estão fora da zona de alerta, 6 estados e o Distrito Federal estão na zona de alerta intermediário, onde as taxas de ocupação são iguais ou maiores que 60% e menores que 80% e apenas Goiás está na zona de alerta alta com taxa maior que 80%.

Os ressaltos negativos entre os dias 26 de julho e 2 de agosto, com uma elevação significativa no indicador, foram Mato Grosso (saiu de 69% para 79%) e a capital Cuiabá (saiu de 55% para 74%). Ocorreram aumentos também no estado do Rio de Janeiro (59% para 61%) e nas capitais de Fortaleza (55% para 65%), Belo Horizonte (58% para 60%), Rio de Janeiro (90% para 94%) e Campo Grande (67% para 74%).

Já as baixas no indicador atingiram pelo menos cinco percentuais em Roraima (68% para 58%), Pará (61% para 54%), Tocantins (71% para 64%), Maranhão (65% para 57%), Paraíba (34% para 26%), Alagoas (46% para 26%), Sergipe (45% para 37%), Minas Gerais (56% para 51%), São Paulo (55% para 49%), Paraná (64% para 59%), Rio Grande do Sul (65% para 60%) e Distrito Federal (83% para 61%).

Toda a Região Nordeste não está na zona de alerta do indicador, onde também se somam o Norte, com exceção de Tocantins, o Sudeste, exceto o Rio de Janeiro e o estado do Paraná, situado na Região Sul.

Síndrome respiratória

Acre, Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo mostraram taxas maiores a 10 casos por 100mil habitantes em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Mesmo que se encontrem com taxas menores, os outros estados ainda tem níveis maiores a um caso por 100mil habitantes. “Como os casos de SRAG são essencialmente severos, que demandam hospitalização, ou casos que vieram a óbito, as taxas preocupam, por impor demanda significativa ao sistema hospitalar”, advertiram os pesquisadores.


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