Quantidade de fumantes em tratamento no SUS diminuiu 66% ao longo da pandemia

Por conta do isolamento social os tabagistas passaram a não buscar assistência.

Quantidade de fumantes em tratamento no SUS diminuiu 66% ao longo da pandemia Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Quantidade de fumantes em tratamento no SUS diminuiu 66% ao longo da pandemia

Saúde Por: Natalie Gallacci - 25/08/2021

Foi divulgado hoje (25/08), o relatório Tratamento do Tabagismo no SUS ao longo da Pandemia da COVID-19, através do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), em solenidade do Dia Nacional de Combate ao Fumo, apresenta uma diminuição de 66% na quantidade de fumantes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) no ano de 2020 em relação a 2019.

A pesquisa foi fundamentada nas informações coletadas pelo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), administrado pelo Inca, e determinou que o Sudeste foi a área que teve maior diminuição acompanhado pelo Nordeste (66%), Centro-Oeste (63%), Sul (62%) e Norte (59%).

A chefe da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, Liz Almeida, médica epidemiologista, declarou que diversas razões colaboraram para a diminuição, no meio das orientações do Ministério da Saúde, em que orientavam as pessoas a ficarem em casa e sair somente em caso de necessidade, não procurar unidade de saúde, com exceção de estarem passando mal com sintomas mais sérios de COVID-19, além do fechamento das lojas.

“Isso afetou, na realidade, todos os atendimentos e, em especial, os atendimentos ambulatoriais. Reduziu muito a procura e, do lado da oferta, houve um problema sério nas unidades, porque foi necessário afastar profissionais de saúde idosos, com comorbidades, gestantes, lactantes. Reduziu a força de trabalho. Teve gente que também adoeceu”, declarou a epidemiologista.

A Dra também recordou que muitos especialistas da saudade contraíram o vírus da COVID-19, assim como seus parentes, o que causou um distanciamento de boa parte dos profissionais nos hospitais. “Na prática, de um lado, os pacientes reduziram a procura às unidades de saúde, alguns foram alertados que não deviam procurar porque aquele tipo de atendimento havia sido suspenso. No final das contas, a gente imaginava que isso ia durar apenas alguns meses, só que a pandemia virou o ano”.

O tratamento do tabagismo é demorado, demora cerca de 12 meses e é realizado por mais de um funcionário da saúde. Programando a volta do tratamento no âmbito do SUS, o Inca já está contatando os pacientes. De acordo com a médica, no entanto, em consequência da variante Delta, a parte do tratamento que é realizada em grupo, terá que ser adiada, priorizando o atendimento individual, ampliando a obrigação do profissional.

Mesmo que a diminuição tenha sido considerável na quantidade de fumantes em atendimentos nas unidades do SUS no ano anterior, em torno de 68 mil fumantes buscaram atendimento no começo do ano passado, aponta o relatório do Inca.

“O pessoal ficou confinado em casa, nervoso, vendo pela televisão a situação meio dramática no mundo todo. Então, muito estressado, o pessoal passou a fumar mais, a beber mais, a comer mais, a não fazer atividade física. Todos os fatores combinados para as nossas doenças mais graves, que são a doença cardiovascular, as doenças respiratórias crônicas e também os tipos de câncer”, declara a Dra.

A quantidade de fumantes e o atendimento no SUS para esse público muda conforme a unidade da Federação e com a infraestrutura disponível nas cidades. Não são todos que estão habilitados para disponibilizar tratamento. Unidades de saúde foram voltadas para atendimento da COVID-19 em alguns municípios. Diante disso, a orientação é de que o tabagista busque a secretaria municipal para se informar as unidades de saúde que estão atendendo fumantes.

Conforme diz a médica, o tratamento inteiro que o SUS fornece é singular no mundo. “A maior parte dos lugares cobra por esse tipo de atendimento. No SUS, a gente está conseguindo oferecer o tratamento completo, incluindo os medicamentos, que não têm um preço desprezível. É importante que o tabagista saiba disso”. Liz acrescenta também que recaídas fazem parte de seja qual for o tratamento de dependência.


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